Sem saber que estava sendo gravado, Guedes diz que ‘chinês inventou o vírus’ da Covid e tem vacina ‘menos efetiva’ que a dos EUA

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Sem saber que estava sendo gravado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta terça-feira que os chineses “inventaram” o coronavírus e que a vacina desenvolvida pelo país contra a doença é menos efetiva do que o imunizante da Pfizer, dos Estados Unidos.

A acusação de que a China criou a Covid-19 é rebatida duramente por Pequim. Essa afirmação esteve no centro de uma crise diplomática entre a China e o governo Jair Bolsonaro.

Atualmente, a vacina CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, é a responsável por cerca de 80% das doses aplicadas no Brasil.

O próprio Guedes tomou essa vacina. O restante dos imunizantes aplicados no país são decorrentes da parceria entre o laboratório Astrazeneca e a Universidade de Oxford, mas a fabricação pela Fiocruz tem sofrido atrasos.

As declarações de Guedes foram feitas na reunião do Conselho de Saúde Suplementar. Ele estava acompanhado dos ministros da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, e da Saúde, Marcelo Queiroga, e de representantes do setor de saúde. Ninguém corrigiu o ministro.

— O chinês inventou o vírus, e a vacina dele é menos efetiva do que a americana. O americano tem 100 anos de investimento em pesquisa. Então, os caras falam: “Qual é o vírus? É esse? Tá bom, decodifica”. Tá aqui a vacina da Pfizer. É melhor do que as outras — disse Guedes.

Parte da reunião foi transmitida nas redes sociais do Ministério da Saúde. O vídeo foi interrompido após os ministros perceberem a gravação. As imagens não estão mais disponíveis, mas foram divulgadas pelo portal G1.

Quando foi informado que a reunião estava sendo transmitida, Guedes pediu:

— Não mandem para o ar.

O presidente Jair Bolsonaro e aliados lançaram suspeição sobre a eficiência da CoronaVac por diversas vezes ao longo do ano passado. Bolsonaro chegou a vetar a aquisição da CoronaVac — chamada por ele de “vacina chinesa do João Dória”, governador de São Paulo que é seu desafeto e adversário político — e depois acabou recuando.

As vacinas da Pfizer, desenvolvidas junto com o laboratório alemão BionTech, ainda não foram aplicadas no Brasil. Em agosto do ano passado, o governo não aceitou oferta de 70 milhões de doses da Pfizer para entrega até dezembro, alegando questões jurídicas. Somente em março deste ano anunciou a compra de 100 milhões de doses dessa vacina.

As falhas do governo na aquisição de vacinas são objeto de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada nesta terça-feira no Senado.

Balanço da vacinação contra Covid-19 desta segunda-feira, até as 20h, aponta que 29.554.723 pessoas já receberam a primeira dose de vacina contra a Covid-19. O número representa 13,96% da população brasileira.