Sem 'vergonha ou vaidade', Ney Matogrosso volta nu em álbum gravado durante a pandemia

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Ney Matogrosso guarda a memória dos seus camarins apinhados depois dos shows. O que não aconteceu agora, que ele voltou aos shows presenciais no começo do mês, em São Paulo.

— Foi muito estranho, porque pela primeira vez eu acabei de fazer um show e não tinha ninguém para conversar. Mas eu acho que essa volta tem que ser com cuidado mesmo. O show foi muito bom, observei na banda e na plateia uma grande alegria de estar ali. Ninguém tirou as máscaras ou desrespeitou a orientação de não chegar perto do palco — conta ele, que esta quinta-feira volta às plataformas de streaming (e, em breve, ao CD) com o álbum “Nu com a minha música”.

— Esse disco foi a chave da minha liberdade durante a pandemia — explica o cantor, que em agosto voltou ao noticiário com as comemorações dos seus 80 anos de idade (que contaram, inclusive com o lançamento de uma biografia) e, pouco depois, como o aparecimento de uma foto do seu pênis no Instagram. — O que aconteceu foi que eu mandei a foto para um canto e ela foi para outro. Não faria isso propositalmente. Mas tudo bem, errei de mão e pronto, não nego. As pessoas até disseram que eu fui hackeado, mas não é nada disso. Não teve vergonha nem vaidade.

Antecipado por um EP com quatro faixas (que voltam agora no disco), “Nu com a minha música” foi buscar seu título na canção de Caetano Veloso, de 1981, sobre os tempos em que os grandes artistas da MPB levantavam um bom troco fazendo turnês pelo estado de São Paulo. O que chega a ser irônico, já que Ney não pretende montar um show desse novo disco – sua turnê anterior, “Bloco na rua”, estreou em 2019 e ficou apenas um ano em cartaz, abalroada pela Covid.

— Ainda tem uma procura muito grande pelo “Bloco”, vou seguir com ele por mais alguns meses, não quero queimar esse cartucho do novo disco — explica Ney, alegando ainda a dificuldade de se botar no palco o “Nu com a minha música”, álbum feito com quatro produtores (cada um cuidou de três faixas), e os quatro com estéticas bem diferentes: o guitarrista Ricardo Silveira, o violonista Marcello Gonçalves, o tecladista Sacha Amback e o pianista Leandro Braga.

Entre as canções que o cantor gravou, algumas estavam esperando há um bom tempo pela sua voz, como “Sua estupidez”, clássico de Roberto e Erasmo Carlos:

— Essa eu queria gravar desde que ouvi a Gal cantar, mas achei que era um risco... até que cheguei nessa versão mais intimista. O Marcello (Gonçalves) tinha feito ela mais acelerada, porque achava que eu queria dar um esporro (com a letra). Mas eu queria o contrário, algo que pudesse ser dito na cama, ao pé do ouvido. A pessoa não quer se separar, ela quer apenas dar um toque.

Outra delas foi “Quase um segundo”, gravada de diferentes formas pelo autor, Herbert Vianna, e por Cazuza. Para ela, Ney descobriu uma veia mais blues, e até um bocado sensual.

— É, pode ser (risos). É uma relação de amor, não é mesmo? A música fala dos “teus pelos”, disso e daquilo... foi a música que me indicou isso, não eu! — ironiza ele, que, por outro lado, deu uma leitura solene, quase tango, a “Espumas ao vento”, canção de Accioly Neto e sucesso de Fagner.

— Eu fiquei mais preso à letra, era uma música boa de cantar, há muito tempo que eu estava de olho nela — conta o cantor, que no começo da carreira solo dividiu gravações com Fagner e com ele também se apresentou, pela primeira vez, em um festival, sem a maquiagem, após o fim dos Secos & Molhados. — Eu entrei com uma calça jeans, uma jaqueta e um chapéu de palha. Até eu começar a cantar ali ninguém sabia quem eu era!

Intérprete que nunca teve problema em misturar nomes consagrados e outros ainda não tão conhecidos nas canções de seus discos (ou mesmo ou variar os estilos), Ney traz agora em “Nu com a minha música” as balançadas “Faz um carnaval comigo” (de Jade Baraldo e Pedro Luís) e “Boca” (de Rafael Rocha) – números de sexualidade aflorada.

— Esses são condimentos do disco, não dá para ficar romântico, romântico, romântico... eu não sou assim! — justifica-se Ney, que ainda pinçou para o repertório a abusada “Estranha toada” (de Martins e PC Silva) e “Se não for amor eu cegue” (de Lula Queiroga e Lenine). — Lá na casa em Angra do Zé Maurício Machline (empresário e criador do Prêmio da Música Brasileira), a gente dança, a gente bebe, e eu fico anotando. Quando essas duas músicas tocaram, eu fui logo perguntar o que era cada uma.

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