Sem visitantes, museu americano leiloa obras de arte para manter coleção

O Brooklyn Museum é o terceiro maior de Nova York em espaço físico
O Brooklyn Museum é o terceiro maior de Nova York em espaço físico
O Globo

NOVA YORK – Com a pandemia de coronavírus, museus e outros espaços culturais fecharam as portas e, mesmo com a reabertura, o público não retornou. Como as contas a pagar não param, e os custos de manutenção das coleções são elevados, o Brooklyn Museum, em Nova York, tomou uma decisão polêmica: oferecer 12 obras de arte para leilão.

Entre as peças oferecidas estão obras raras, como pinturas do renascentista alemão Lucas Cranach e dos realistas franceses Gustave Courbet e Jean-Baptiste Corot.

— É algo muito duro para nós fazermos — afirmou Anne Pasternak, diretora do museu, ao New York Times. — Mas é o melhor para a instituição e para a longevidade e o cuidado das coleções.

A prática é considerada um tabu, e até mesmo proibida nos EUA. Até a pandemia. A Associação de Diretores de Museus de Arte determina que as receitas de vendas de obras de arte só podem ser usadas para a compra de outras peças, não para a cobertura de outros custos.

Mas com o impacto da pandemia de coronavírus na visitação, a associação anunciou, em abril, que até abril de 2022 não haveria penalidades contra museus que “usem o produto da venda de obras de arte para pagar despesas associadas ao cuidado direto de coleções”.

Terceiro maior museu de Nova York em espaço físico, com mais de 160 mil peças na coleção, o Brooklyn Museum é a primeira grande instituição cultural americana a se aproveitar da brecha aberta pela associação.

Relativamente distante de Manhattan, principal centro turístico de Nova York, o Brooklyn Museum já tinha as finanças apertadas antes da crise. Com a pandemia, a manutenção se tornou inviável.

O objetivo de Anne é criar um fundo de US$ 40 milhões, capaz de gerar cerca de US$ 2 milhões por ano para cobrir os cuidados com a coleção.

Segundo a diretora, os custos estimados foram conservadores, para garantir que toda a renda seja direcionada para o cuidado direto da coleção, como limpeza e transporte. O dinheiro também pode ser usado para pagar parte dos salários dos profissionais envolvidos, como curadores e restauradores.

As obras que serão leiloadas foram cuidadosamente selecionadas por curadores e aprovadas pela direção.

— São bons exemplos do gênero, mas sua ausência não diminui nossas coleções — afirmou Anne. — Temos uma vasta coleção de arte de alta qualidade, mas temos obras que, como muitos museus do nosso tamanho, nunca foram exibidas ou estão guardadas há décadas.

Os leilões acontecerão no mês que vem, na Christie’s. Os valores estimados de arremate vão de US$ 30 mil, por uma obra do francês Jean-Georges Vibert, a US$ 1,8 milhões pela “Lucretia”, de Cranach.