Semana é decisiva para a mais longa greve dos transportes na França

Por María Elena BUCHELI
Membros do governo chegam para o primeiro conselho de ministros de 2020

A França inicia uma semana decisiva, com uma nova rodada de negociações entre os sindicatos e o governo nesta terça-feira (7) e dois grandes dias de mobilização programados para quinta (9) e sábado (11), em função da reforma previdenciária que afundou o país na greve dos transportes.

Essa paralisação no transporte, que afeta trens, metrôs e ônibus desde 5 de dezembro, já é a mais longa da história da França. Superou a mobilização de 1986, quando os trabalhadores da companhia ferroviária francesa (SNCF) entraram em greve por 28 dias consecutivos.

Ambiciosa promessa eleitoral do presidente Emmanuel Macron, a reforma da Previdência visa a eliminar os 42 regimes de aposentadoria existentes, substituindo-os por um universal com pontuação. Também pretende estabelecer um aumento de 62 para 64 anos na idade para se aposentar com benefício integral.

Após fortes interrupções no transporte durante o feriado de Ano Novo, a maioria dos franceses retomou o trabalho e as aulas nesta segunda-feira. As dificuldades de viajar continuaram, porém, principalmente na região de Paris, com linhas de metrô fechadas e circulação a conta-gotas, assim como ônibus lotados.

Muitos, como Denise Guine, contam que devem acordar mais cedo para chegar a tempo a seus empregos. "Não podem manter o país travado indefinidamente, precisam se sentar para discutir", clama a professora de 61 anos.

Apesar das baixas temperaturas, que na capital estão em torno de 5°C, muitos franceses não tiveram escolha a não ser andar de bicicleta, skate, ou a pé.

Nos acessos a Paris, mais de 400 quilômetros de congestionamentos foram registrados por volta das 9h da manhã.

Já nos trens de alta velocidade, que ligam as principais cidades do país, e nos regionais, houve uma ligeira melhora.

Com o retorno às aulas "o tráfego é mais denso, mas flui", comentou a SNCF.

- Mão estendida -

Governo e sindicatos retomarão as negociações nesta terça, mas os grupos mais hostis à reforma já convocaram dois grandes dias de mobilização, na quinta e no sábado.

Em 5 de dezembro, no primeiro dia de mobilização contra a polêmica reforma, mais de 800.000 pessoas saíram às ruas em toda França para expressar sua rejeição ao texto.

O secretário-geral da CGT, Philippe Martinez, um dos mais ferozes opositores ao projeto, reiterou no domingo que não cederá, a menos que o governo retire seu projeto.

Seu colega do CFDT, Laurent Berger - que é favorável à criação de um sistema universal, mas está em guerra contra a chamada "idade do equilíbrio" em 64 anos -, propôs ao Executivo uma "conferência de financiamento de pensão".

Esta iniciativa foi bem recebida por vários membros do governo, começando pelo ministro da Economia, Bruno Le Maire, que elogiou "a mão estendida pelo CFDT".

O secretário-geral da organização de empregadores da França (MEDEF), Geoffroy Roux de Bézieux, também deu um sinal de abertura sobre a proposta impopular de retardar a idade da aposentadoria em dois anos para receber um benefício integral.

O governo quer encontrar um compromisso rápido para poder apresentar o projeto de lei diante do conselho de ministros em 24 de janeiro, antes que vá para o Parlamento no fim de fevereiro.

Várias universidades, inclusive a Sorbonne, de paris, foram obrigadas a adiar suas provas devido aos bloqueios em vários campi.

Segundo uma pesquisa, 55% dos franceses são contra a reforma de Macron e os que apoiam a greve ainda estão em maior número do que aqueles que se opõem a ela.