Semana em Turim indica que Tite pode ter Vini Jr como surpresa em estreia do Brasil

A seleção brasileira faz hoje o seu último treino em Turim, na Itália, antes do embarque para o Catar amanhã. E a esperada escalação para a estreia na Copa do Mundo contra a Sérvia, quinta-feira, ficou apenas nas entrelinhas. Pelos trabalhos realizados por Tite em quatro dias, dois deles com o grupo completo, o sistema tático que tem ganhado a preferência é com Vini Jr. aberto na esquerda e Lucas Paquetá como meia por dentro, posições executadas em todas as atividades no CT da Juventus, com Neymar e Raphinha nas demais posições de ataque.

Fred, que seria titular no esquema considerado como número um, ficou em diversos momentos fora das movimentações para dar lugar a Bruno Guimarães, enquanto Paquetá revezava com Everton Ribeiro em um segundo time — nenhum dos dois grupos com todos os possíveis titulares. Tite terminou os últimos amistosos tendo testado as duas formações, com Paquetá por dentro ou aberto, e Fred e Vini Jr. no banco em cada uma das ocasiões. Hoje há 26 jogadores e três ideias de jogo distintas para potencializar o talento dos nove atacantes convocados, mas apenas uma foi colocada em prática em Turim.

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— Não sei quem joga. Tite ainda não passou nada. Treina todos da mesma forma para todos estarem preparados — afirmou Rodrygo.

Como tem priorizado exercícios com dois pontas abertos nos treinos, Tite indica que deve usar, quem sabe até na estreia, mesmo que não no começo, um jogador de origem na esquerda, recuando Paquetá ao lado de Casemiro, como fez recentemente contra o Uruguai. A outra alternativa é quando não tiver o centroavante de referência. Nesse cenário, Neymar assume o comando do ataque e reveza com Paquetá, que fez bem o papel de falso 9 em outras oportunidades. De qualquer forma, o Brasil mantém os pontas abertos.

Briga pela esquerda

Esse é o papel mais disputado no momento na seleção. Concorrem pelo posto pelo lado esquerdo Vini Jr., o favorito, Gabriel Martinelli, surpresa na convocação, e Rodrygo, atacante também jovem, só que mais versátil que os demais. A diferença entre os três é a capacidade de servir e também finalizar, entregar gols.

Vini tem 15 participações em gols em 21 partidas pelo Real Madrid na temporada, com 10 gols e cinco assistências. Pelo Brasil, fez só um gol em 11 jogos. Já Martinelli tem cinco gols e duas assistências em 20 jogos, totalizando sete participações diretas no Arsenal. Com três exibições na seleção, passou em branco em participações, mas jogou apenas 78 minutos, menos que todos os demais pontas. Rodrygo, por sua vez, tem 12 participações no clube espanhol, com sete gols e cinco assistências. Na seleção, somente um gol.

Do lado direito, Raphinha hoje é absoluto. No Barcelona, tem sido reserva, embora tenha marcado dois gols e dado cinco assistência nos últimos 18 jogos da temporada. Na seleção, tem incríveis nove participações em 11 jogos. Também com 11 jogos, seu concorrente Antony chega a apenas dois gols e duas assistências pelo Brasil. O atacante do Manchester United se recuperou de lesão e não atua desde o fim de outubro. Tem evoluído na seleção e treinado com bola, mas Tite também cogita usar Vini e Rodrygo pelo lado direito em caso de necessidade.

Nos últimos treinos, entretanto, Rodrygo tem atuado na função desempenhada por Neymar, como um meia que chega de trás pelo corredor central. Assim como nas primeiras atividades, Tite exercitou exatamente essa capacidade de cada atleta manter um padrão de jogo na função para qual o treinador pretende utilizá-lo de forma prioritária. Paquetá, por exemplo, não foi até agora testado como um ponta.

O zagueiro Marquinhos, que se mostrou totalmente recuperado das dores no joelho direito que o tiraram do último jogo pelo PSG, explicou que o trabalho prioriza o jogo contra a Sérvia, como se sabe, mas também tem o objetivo de manter o padrão de jogo geral da seleção brasileira.

— Coisas pontuais são trabalhadas nesse momento no nosso jogo, especificando o que a Sérvia pode fazer. Algumas coisas temos trabalhado para repetir nosso padrão. A gente vê o time preparado, jogadores que saem, entram. O time está bem armado, com propósito claro dentro de campo — analisou o zagueiro titular.

Tite também tem feito observações na defesa para o jogo com a Sérvia. E normalmente manteve Militão ao lado de Thiago Silva e Bremer com Marquinhos na outra equipe. Já com os laterais deixou Danilo e Alex Telles no time de Neymar e no outro Daniel Alves e Alex Sandro. Gabriel Jesus também era o centroavante da equipe que tinha o camisa 10. Pedro revezava com ele. Na outra formação, Richarlison atuou ao lado de Antony e Martinelli pelas pontas.