'Semana que vem teremos mais', diz Bolsonaro após indicar general para presidir a Petrobras

Victor Farias
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O presidente Jair Bolsonaro justificou neste sábado a troca no comando da Petrobras ao afirmar que precisa "trocar peças que não estejam dando certo". Sem mencionar a empresa nominalmente, ele citou a "troca de ontem" e disse que "na semana que vem teremos mais".

— Eu tenho que governar. Trocar as peças que porventura não estejam dando certo. Se a imprensa está preocupada com a troca de ontem, na semana que vem teremos mais. O que não falta para mim é coragem de decidir pensando no bem maior da nossa nação — disse, em cerimônia de entrada de novos alunos da escola preparatória de cadetes do Exército, em Campinas (SP).

Críticas:

Na noite de ontem, Bolsonaro anunciou a demissão do presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco. Em um post em redes sociais, o presidente afirmou que o novo chefe da estatal é Joaquim Silva e Luna, diretor-geral da Itaipu Binacional e ex-ministro da Defesa no governo Temer (MDB). A estatal não tinha um presidente militar desde 1988.

Pouco antes de citar a "decisão de ontem", Bolsonaro afirmou, em meio a militares, que "pior que uma decisão mal tomada é uma indecisão".

— Problemas hoje temos, e eu tenho que decidir, assim como vocês militares, que desde jovem passarão a tomar decisões, e também vocês aprenderão rapidamente que pior que uma decisão mal tomada é uma indecisão — defendeu.

Bolsonaro pediu a saída de Roberto Castello Branco do comando da Petrobras numa reunião nesta quinta-feira no Palácio do Planalto, após o quarto aumento no preço dos combustíveis anunciado pela empresa, o que irritou o presidente.

A reunião ocorreu pouco antes da transmissão ao vivo nas redes sociais em que Bolsonaro criticou a estatal e disse que “alguma coisa” iria acontecer na Petrobras, posição reforçada na manhã desta sexta.

O presidente da estatal vinha irritando Bolsonaro por conta do aumento dos combustíveis, especialmente o diesel. A situação se agravou depois que Castello Branco, em Janeiro, ainda sob a pressão da ameaça de greve dos caminhoneiros, afirmou que a insatisfação da categoria é “um problema que não é da Petrobras”.

Após críticas do setor econômico pela mudança na estatal, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, afirmou na manhã de hoje no Twitter que o governo Bolsonaro é "100% liberal na economa" e " jamais irá intervir em preços e acredita no livre mercado".

Segundo Faria, a troca na estatal, classificada por ele como "fato isolado", foi motivada por uma "falta de afinidade entre o PR e o Castello".

Em meio a recordes no número de casos e de mortes provocadas pela Covid-19, Bolsonaro afirmou neste sábado que, "pelo que tudo indica", o ápice da pandemia foi no ano passado.

A declaração destoa com os dados da doença no país. No último sábado, dados do consórcio de veículos de imprensa indicaram que o Brasil registrou a maior média móvel de óbitos pelo novo coronavírus desde o início da pandemia. Foram 1.105 mortes.

— Não faltam problemas para nós, mas contamos com o povo compreensível e trabalhador para vencermos esses obsátculos. O ano passado, pelo que tudo indica, o ápice dessa malfadada pandemia, que continua nos perseguindo ainda no dia de hoje — afirmou.

Ao elogiar os cadetes presentes na cerimônia, o presidente afirmou ainda que, "apesar de tudo, representa a democracia no Brasil". Em seguida, ele fez críticas à imprensa.

— Alguns acham que eu posso fazer tudo. Se tudo tivesse que depender de mim, não seria este o regime que nós estaríamos vivendo. E, apesar de tudo, eu represento a democracia no Brasil. Nunca a imprensa teve um tratamento tão leal e cortês como o meu. Se é que alguns acham que não é desta maneira é porque não estão acostumados a ouvir a verdade — afirmou, acrescentando:

— Nós vivemos em um país livre, esta liberdade vale mais que a própria vida para cada um de nós. Tenho certeza que, junto às Forças Armadas e as demais instituições do governo, tudo faremos para cumprir a nossa Constituição para fazer com que a nossa democracia funcione e a nossa liberdade esteja acima de tudo.

Também estavam no evento neste sábado os ministros da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, e da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, além do comandando do exército, Edson Leal Pujol.