Senado argentino aprova aborto legal

O Globo
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BUENOS AIRES - Na madrugada desta quarta-feira, o Senado argentino sancionou a lei que legaliza o aborto. Em um passo histórico, a interrupção voluntária da gravidez (IVE) obteve 38 votos a favor para virar lei, ante 29 votos contrários. Foi registrada 1 abstenção e também 4 ausentes. “Está aprovado”, disse a presidente do órgão, Cristina Fernández de Kirchner, em meio a aplausos. Há duas semanas, a Câmara dos Deputados havia aprovado o projeto — com 131 votos a favor, 117 contrários e seis abstenções.

Devido à pandemia, as grandes manifestações das ativistas de lenço verde — símbolo da campanha a favor da legalização do aborto — foram transferidas para as redes sociais, com exceção do dia do debate na Câmara, quando milhares de pessoas se reuniram diante do Congresso, algo que se repetiu nesta terça-feira.

Os cálculos apontam entre 370 mil e 520 mil abortos clandestinos na Argentina a cada ano. Dezenas de mulheres morrem em consequência das práticas, que são ainda mais graves em um contexto de pobreza.

María, formada em Relações Internacionais, 35 anos, afirma que "a legalização é necessária porque o desespero leva a abortar de qualquer maneira".

"Em nenhum momento me arrependi da decisão", conta a ativista, que prefere não revelar o sobrenome. "Minha situação foi muito privilegiada, primeiro porque estou viva e segundo porque foi realizado nas melhores condições possíveis. Eu tive educação sexual entre aspas, tínhamos crenças incorretas", conta à AFP.

A Igreja Católica pediu neste sábado à Virgem para iluminar os senadores e evitar aprovação da IVE como lei. O pedido aconteceu na Basílica de Luján, o maior templo do país, em uma cerimônia transmitida pelas redes sociais.

"Virgem Santíssima, pedimos que detenha o olhar sobre nossos legisladores, que terão de decidir sobre um tema de delicadeza tão extrema, que possa provocar neles uma reflexão em suas mentes e corações", afirmou na homilia o bispo Oscar Ojea.

Em um país de forte influência católica e berço do Papa Francisco, a pressão da Igreja é grande.

"Sou católico, mas tenho que legislar para todos. E sou um católico que pensa que o aborto não é um pecado", declarou o presidente Fernández, que apresenta o tema como uma questão de saúde pública.

Desde 1921, o aborto é permitido na Argentina em caso de estupro ou perigo para a vida da mulher. Na América Latina, o aborto é legal apenas em Cuba, Uruguai e Guiana, assim como na Cidade do México, e é totalmente proibido em El Salvador, Honduras e Nicarágua.

Após a aprovação há duas semanas na Câmara dos Deputados — com 131 votos a favor, 117 contrários e seis abstenções.

Devido à pandemia, as grandes manifestações das ativistas de lenço verde — símbolo da campanha a favor da legalização do aborto — foram transferidas para as redes sociais, com exceção do dia do debate na Câmara, quando milhares de pessoas se reuniram diante do Congresso, algo que se repetiu nesta terça-feira.

Os cálculos apontam entre 370 mil e 520 mil abortos clandestinos na Argentina a cada ano. Dezenas de mulheres morrem em consequência das práticas, que são ainda mais graves em um contexto de pobreza.

María, formada em Relações Internacionais, 35 anos, afirma que "a legalização é necessária porque o desespero leva a abortar de qualquer maneira".

"Em nenhum momento me arrependi da decisão", conta a ativista, que prefere não revelar o sobrenome. "Minha situação foi muito privilegiada, primeiro porque estou viva e segundo porque foi realizado nas melhores condições possíveis. Eu tive educação sexual entre aspas, tínhamos crenças incorretas", conta à AFP.

A Igreja Católica pediu neste sábado à Virgem para iluminar os senadores e evitar aprovação da IVE como lei. O pedido aconteceu na Basílica de Luján, o maior templo do país, em uma cerimônia transmitida pelas redes sociais.

"Virgem Santíssima, pedimos que detenha o olhar sobre nossos legisladores, que terão de decidir sobre um tema de delicadeza tão extrema, que possa provocar neles uma reflexão em suas mentes e corações", afirmou na homilia o bispo Oscar Ojea.

Em um país de forte influência católica e berço do Papa Francisco, a pressão da Igreja é grande.

"Sou católico, mas tenho que legislar para todos. E sou um católico que pensa que o aborto não é um pecado", declarou o presidente Fernández, que apresenta o tema como uma questão de saúde pública.

Desde 1921, o aborto é permitido na Argentina em caso de estupro ou perigo para a vida da mulher. Na América Latina, o aborto é legal apenas em Cuba, Uruguai e Guiana, assim como na Cidade do México, e é totalmente proibido em El Salvador, Honduras e Nicarágua.