Governo e oposição trocam farpas após último atentado na França

Paris, 27 mar (EFE).- O último ataque terrorista registrado na França, quando quatro pessoas foram mortas, provocou uma intensa troca de farpas entre o governo e a oposição, que critica o especialmente o primeiro-ministro do país, Edouard Philippe.

As acusações começaram ontem, quando Laurent Wauquiez, presidente dos Republicanos, o principal partido de direita no país, denunciou a "ingenuidade" do presidente Emmanuel Macron sobre terrorismo.

A líder da extrema direita, Marine Le Pen, pediu a renúncia do ministro do Interior, Gérard Collomb, por não ter tomado medidas para prevenir o ataque, que também deixou 15 feridos.

Os dois concordaram em pedir medidas duras contra o terrorismo, exigindo, por exemplo, a expulsão dos estrangeiros fichados pelos serviços secretos por representarem uma ameaça ao país.

O primeiro-ministro criticou os opositores, afirmando que eles estão assumindo uma "grande responsabilidade" ao prometer "risco zero" de terrorismo aos franceses. Ele também questionou os que disseram que o atentado poderia ter sido evitado.

Radouane Lakdim, de origem marroquina, responsável pelo ataque da última sexta-feira estava desde de 2014 no chamado "Arquivo S", que reúne pessoas que podem representar um risco ao país. Em novembro de 2015, ele foi incluído no sistema de prevenção de radicalização terrorista pelos vínculos que tinha com grupos salafistas.

O promotor de Paris, François Mollins, disse que Lakdim era alvo de "acompanhamento efetivo" antes do ataque.

"O Arquivo S é um instrumento policial, não uma prova, e só interessa se as pessoas investigadas não sabem que estão nele", disse hoje o primeiro-ministro, rebatendo a argumentação dos que defendem que os fiscalizados sejam presos e expulsos do país.

Os arquivos estão no centro da polêmica sobre as medidas que deveriam ser tomadas para conter os ataques, mas, segundo Phillipe, prender os suspeitos representa um total "desconhecimento do Estado de direito" porque na França não é possível privar alguém de liberdade com base em suspeitas.

O primeiro-ministro também descartou restabelecer o estado de emergência, que ficou em vigor por quase dois anos, de novembro de 2015, após os atentados de Paris, até novembro de 2017.

Ele substituído por uma nova lei antiterrorismo, que inclui algumas das disposições previstas no estado de emergência. EFE