Senado dos EUA retoma sessões em meio a crise por pandemia

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O líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, no Capitólio, em Washington, 4 de maio de 2020

O Senado dos Estados Unidos voltou ao trabalho nesta segunda-feira (4) com novas diretrizes sobre o novo coronavírus em um contexto de ansiedade pelo avanço de uma pandemia que deixou mais de 68.000 americanos mortos e dezenas de milhões sem trabalho.

Espera-se que os legisladores, a quem se recomenda o uso de máscaras, abordem as disputas sobre como enfrentar o surto e mitigar seus devastadores impactos econômicos.

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Controlado pelo Partido Republicano, o Senado, com 100 assentos e 49 legisladores com mais de 65 anos (portanto, no grupo de risco) se reunia para uma primeira sessão completa desde 25 de março.

A Câmara de Representantes, com 435 membros e que é controlada pelos democratas, optou por não retornar esta semana.

"Chegou o momento para nós de continuar conduzindo os assuntos da nossa nação de forma que só é possível com os senadores aqui na capital", disse o líder da maioria republicana, Mitch McConnell.

O político - que circulava pelos corredores com uma máscara cirúrgica - destacou que a Câmara funcionará da forma mais inteligente e segura possível.

"Viremos trabalhar como trabalhadores essenciais que somos", acrescentou.

O líder da minoria democrata, Chuck Schumer, advertiu que deviam se preparar para "uma das sessões mais estranhas da história recente do Senado dos Estados Unidos", sem apertos de mãos, nem reuniões de colegas.

O líder da minoria republicana na Câmara baixa, Kevin McCarthy, se disse favorável a uma abertura "híbrida" do trabalho da Câmara de Representantes, inclusive os comitês, enquanto Washington e o restante do país discutem como suspender o confinamento.

Mas os líderes democratas, que controlam a Câmara baixa, disseram que não, mostrando sua preocupação com a segurança sanitária e lembrando uma advertência do médico do Congresso, que afirmou que a capital dos Estados Unidos ainda não tinha achatado suficientemente a curva de novos casos do coronavírus.

Os senadores que voltaram ao Capitólio foram aconselhados pelo doutor Monahan a manterem o distanciamento social, usassem máscaras, limitassem o número de funcionários nos gabinetes, usassem álcool em gel e evitassem apertos de mão.

- "Engatinhar, caminhar e depois correr" -

O retorno ao trabalho do Senado se dá após um choque entre os líderes do Congresso e o presidente Donald Trump.

Depois que se informou na semana passada aos legisladores que o departamento médico do Capitólio não poderia fazer exames de detecção de vírus a todos os membros do Congresso, o governo Trump se ofereceu para submetê-los a testes rápidos.

Mas em uma mensagem incomum conjunta da presidente da Câmara de Representantes, a democrata Nancy Pelosi, e do líder do Senado, o republicano Mitch Mc Connell, rejeitaram no sábado a oferta, pontualizando que os testes deveriam ser reservados para os cidadãos.

"Ao não querer o teste especial de cinco minutos, o Congresso está dizendo que não é 'essencial'", tuitou Trump.

"Em qualquer caso, temos uma grande quantidade de testes e realizamos 6,5 milhões de exames, o que é mais que todos os países do mundo juntos!", acrescentou.

Os democratas se queixaram de que McConnell estava retomando as sessões, mas não tinha no programa da semana passada nenhuma proposta para o combate à pandemia.

Nesta segunda, o Senado tem previsto analisar a confirmação de uma nomeação para a Comissão Regulatória Nuclear e mais tarde durante a semana a de um juiz federal.

Schumer afirmou que o Senado deveria abordar os problemas dos americanos que sofrem com a crise da COVID e "não estar confirmando juízes de extrema direita e protegendo as grandes empresas que põem em risco seus trabalhadores".

Os corredores do Capitólio estavam incomumente silenciosos, com poucos funcionários indo de um gabinete para outro, alguns com máscaras, outros sem nenhuma proteção.

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