Senado italiano se reúne para negociar moção de censura contra governo

Por Kelly VELASQUEZ
O vice-primeiro ministro italiano e ministro do Interior, Matteo Salvini, sai de um hotel depois de uma reunião com membros do partido Lega no centro de Roma.

Reunido de emergência em uma Roma deserta por causa do período de férias do verão europeu, o Senado italiano deve decidir nesta terça-feira (13) a data para o possível voto de uma moção de censura que poderá derrubar o governo de Giuseppe Conte.

Depois de o homem forte da Itália, o ultradireitista Matteo Salvini, fazer seu próprio governo implodir ao romper inesperadamente sua aliança com o Movimento 5-Estrela (M5E, antissistema), a crise passou para o Parlamento, como determinado pela Constituição de um regime parlamentar.

A tática de Salvini de pedir eleições antecipadas imediatas está ficando complicada. Sua decisão acabou forçando as demais forças políticas, particularmente o Partido Democrata (PD, de centro esquerda), a se aliarem para impedir que o país seja governado pelo líder de extrema direita.

O líder da Liga ainda é apoiado, porém, por seus antigos aliados na coalizão, a direitista Forza Italia (FI), de Silvio Berlusconi, e a extrema direita Fratelli d'Italia (Irmãos da Itália), de Giorgia Meloni.

O PD é favorável a que Conte simplesmente compareça ao Senado para dar uma declaração pública.

Segundo o sistema parlamentar italiano, é o Senado que deve votar a moção de censura contra Conte, líder do populista governo heterogêneo há 14 meses no poder.

Matteo Salvini também convocou seus deputados em Roma.

Seu objetivo é fazer cair o governo no máximo até 20 de agosto, com a realização de eleições no final de outubro. Ele espera, com isso, capitalizar sua popularidade nas pesquisas, que atualmente lhe dão de 36% a 38% das intenções de voto.

A crise entre os dois ex-aliados - Liga e M5E - explodiu após uma votação no Senado a favor do polêmico projeto da linha de trem de alta velocidade entre França e Itália, conhecido como TAV, na semana passada.

O M5S quis votar contra o projeto, apoiado de forma veemente pela Liga.