Senador Fávaro lidera corrida para ser ministro da Agricultura de Lula, dizem fontes

Colheita de soja

Por Lisandra Paraguassu e Roberto Samora

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - O senador Carlos Fávaro (PSD-MT) está liderando a corrida para ser ministro da Agricultura no governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que permitiria ao principal Estado produtor de grãos e oleaginosas do Brasil ter um representante no comando da pasta, disseram duas fontes à Reuters com conhecimento do assunto.

Fávaro, que integra o grupo de agricultura da equipe de transição de governo, está próximo de Lula desde a campanha eleitoral.

Procurada, a assessoria do senador não confirmou nenhum convite oficial por parte do presidente Lula, que já anunciou que só vai divulgar seus ministros depois da diplomação, marcada para o dia 12.

Fávaro foi eleito para mandato até o fim de 2027 em uma eleição suplementar pelo Mato Grosso, após a senadora Selma Arruda ter sido cassada pela Justiça Eleitoral.

Segundo uma das fontes, um empecilho político para Fávaro ser ministro estaria "apaziguado". Havia preocupação antes sobre a possibilidade de a suplente do senador, Margareth Buzetti (PP) --apoiadora de Jair Bolsonaro--, aumentar a oposição ao futuro governo.

O senador foi presidente da associação de produtores de soja e milho de Mato Grosso há cerca de dez anos. Ele também foi vice-governador do Estado e acumulou o cargo de secretário de Meio Ambiente.

A opção de Fávaro por Lula em um Estado que votou em peso em Jair Bolsonaro, que também recebeu apoio de boa parte do agronegócio local, gerou críticas da Aprosoja-MT ao senador logo após a eleição.

Fávaro, Neri Geller (vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) na Câmara e ex-ministro da Agricultura no governo Dilma Rousseff), e o empresário Carlos Augustin integram uma trinca de apoiadores de Lula em Mato Grosso que tiveram a legitimidade para representar o agronegócio questionada pela Aprosoja-MT.

Mas, segundo Augustin, a manifestação da Aprosoja-MT representou uma "minoria" insatisfeita com a derrota de Bolsonaro, e Geller e Fávaro são bem quistos pelos produtores do Estado.

(Por Lisandra Paraguassu e Roberto Samora)