Senador improvável, algoz de Demóstenes tem apelido de 'radical chique' e 'Harry Potter'

Randolfe durante a CPI do Cachoeira (Foto:Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)Autor do pedido de investigação que levou à cassação do agora ex-senador Demóstenes Torres, Randolph Friederich já seria um parlamentar incomum por seu nome germânico. Mas aos 39 anos, eleito senador com o nome de guerra Randolfe Rodrigues, ele também desperta a curiosidade pela desenvoltura com que passa entre políticos conservadores mesmo sendo do radical PSOL e pelas semelhanças com o personagem juvenil Harry Potter.

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Quando chegou ao Congresso, trazido por cerca de 200 mil votos em 2010, Randolfe logo se enturmou com seu adversário local e presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Irritou seu próprio partido. Para compensar, colocou-se como adversário do ex-presidente da República quando ele tentou se reeleger no comando do Congresso. Arrancou oito votos - todos da oposição - e desagradou Sarney. Foi aprendendo a arte do tapinha nas costas.

Ainda em seu primeiro ano como senador, admitiu se inspirar no colega que ajudaria a cassar meses depois, o ex-paladino da ética Demóstenes. Ganhou pitos públicos de colegas mais antigos, como o senador Roberto Requião (PMDB-PR). Com ombradas e afagos, começou a ofuscar colegas de bancada ética. Na CPI do bicheiro Carlinhos Cachoeira, foi indicado pelo PSDB para ser membro fixo (e olha que ele admitiu ter votado em Dilma Rousseff).

A Comissão Parlamentar de Inquérito deu a esse pernambucano de Garanhuns, de onde se mudou para o Amapá aos 8 anos de idade, os holofotes que faltavam para se tornar uma estrela ascendente da política nacional. Duro nas palavras e atuante nos bastidores, o ex-deputado estadual, que ganhou as eleições também por conta de decisões judiciais contra seus adversários, já era ouvido até pelo decano da Casa, o senador Pedro Simon (PMDB-RS).

O relatório que levou à perda de mandato de Demóstenes e à sua inelegibilidade até 2027 graças ao envolvimento com a quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira foi escrito pelo senador Humberto Costa (PT-PE). Mas o pontapé inicial, quando governistas e oposicionistas mediam os estragos que poderiam sofrer com uma CPI, foi dado por Randolfe. Esse crédito o acompanhará até uma eventual reeleição, em 2018.

Formado em história e ex-petista, partido pelo qual foi duas vezes deputado estadual até ficar sem cadeira em 2006, Randolfe é chamado de modesto pelos amigos, que também o chamam pelo apelido de "Harry Potter", graças principalmente aos cabelos no rosto parecidos com os do personagem da escritora J.K. Rowling. Outros já o chamam de "radical chique", por ser do PSOL e se dar bem com tucanos e governistas. Um senador improvável.

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