Governo turco demite outros 4.000 funcionários por vínculos com "golpismo"

Ancara, 29 abr (EFE).- Em seus dois primeiros decretos emitidos após o referendo constitucional que dará mais poderes ao presidente, o governo da Turquia decidiu neste sábado demitir 3.939 funcionários, incluindo militares e acadêmicos, segundo a emissora de televisão "NTV".

Os demitidos são acusados de estarem relacionados com a rede do pregador conservador Fethullah Gülen, suspeito de estar por trás do fracassado golpe de Estado do ano passado.

Segundo a "NTV", os decretos determinam também a readmissão de 731 funcionários, enquanto 59 estudantes turcos no exterior foram expulsos dos programas estatais de bolsas de estudos.

A maior parte dos funcionários demitidos fazia parte do Ministério de Justiça, do exército e do Escritório de Assuntos Religiosos da Turquia. Além disso, há empregados do parlamento, de tribunais e do escritório do primeiro-ministro.

Por outra parte, os decretos ordenam o fechamento de 18 fundações, um jornal e 13 empresas de saúde, todos supostamente relacionados com Gülen.

Além disso, foram proibidos os programas de televisão nos quais homens e mulheres tentam formar casais, o que parece indicar que o governo quer impor uma linha mais conservadora ao entretenimento popular.

Os decretos de hoje coincidem com o bloqueio da enciclopédia virtual Wikipédia na Turquia, argumentado pelas autoridades turcas com "considerações legais", sem dar mais detalhes.

Dezenas de milhares de funcionários, entre eles muitos juízes e procuradores, foram suspensos de suas funções ou diretamente demitidos desde a tentativa fracassada de golpe de Estado, em um inédito expurgo, muito criticada pela União Europeia.

A mudança constitucional, aprovado com o referendo do último dia 16 de abril, concederá a partir de 2019 amplos poderes executivos ao presidente do país, atualmente o islamita Recep Tayyip Erdogan. EFE