Senador indicado como apoiador de Bolsonaro na CPI da Covid reconhece erros na pandemia, mas defende governo

Redação Notícias
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Presidente Jair Bolsonaro e Ciro Nogueira durante debate sobre a reforma da Previdência com lideranças políticas (Foto: Marcos Corrêa/PR)
Presidente Jair Bolsonaro e Ciro Nogueira durante debate sobre a reforma da Previdência com lideranças políticas (Foto: Marcos Corrêa/PR)
  • O senador Ciro Nogueira (PP-PI) reconheceu que houve erros durante a pandemia, mas disse que a CPI Covid será apenas um "combate político"

  • Com o mesmo discurso de Bolsonaro, o líder do centrão disse que o foco da CPI deveria estar nos governadores

  • A comissão irá apurar eventuais omissões do governo Bolsonaro no combate à pandemia e a aplicação de verbas federais repassadas aos estados

Aliado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Senado e indicado como apoiador do governo na CPI da Covid, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) reconheceu que houve erros durante a pandemia. 

"Esse é o tipo de discussão que não tem inocente. Os culpados são todos, inclusive o Congresso Nacional, que ainda hoje não sancionou o Orçamento por conta do atraso do ano passado", disse em entrevista à Folha de S. Paulo.

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O senador ainda disse que "o mundo político do país errou até certo ponto em não ter tomado as medidas corretas". 

"É o governo federal que errou nessa situação, os governadores que receberam recursos e não investiram no combate à pandemia, fizeram caixa. Pode ter tido erro nas prefeituras", avaliou.

Porém, Nogueira afirmou que a Comissão Parlamentar de Inquérito será apenas um "combate político", não ajudando contra o coronavírus.

“A população não está atrás de culpados, ela está atrás de se imunizar, ser bem tratada nos hospitais”, afirmou o senador que foi contra a instalação da CPI.

Segundo o líder do centrão no Senado, o foco da CPI deveria estar nos governadores, que receberam recursos e não teriam preparado os estados para a crise sanitária — discurso é o mesmo adotado pelo presidente Bolsonaro.

CPI da Covid determinada pelo STF

A CPI da Covid irá apurar eventuais omissões do governo Bolsonaro no combate à pandemia e a aplicação de verbas federais repassadas aos estados. A criação da comissão foi determinada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

No último domingo, o também senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO), um dos autores do pedido de inquérito, divulgou uma gravação na qual Bolsonaro cobrou que a CPI trabalhe para apurar a atuação de prefeitos e governadores, caso instalada. 

Na entrevista à Folha, porém, Nogueira disse que não vê necessidade de a comissão investigar a lentidão na vacinação no Brasil, mas apenas buscar algumas explicações. 

O Brasil bate recordes de casos e mortes há semanas e tem dificuldades em acelerar o ritmo da vacinação, que segue lento.

“Ninguém, nenhuma pessoa em sã consciência acha que o presidente vai tentar sabotar a vacinação da população. Se for esse o foco da CPI, vai começar de uma forma errada”, acredita.

CPI Covid como palanque

A CPI da Covid, criada nesta semana no Senado, pode funcionar como uma vitrine para parlamentares que são possíveis candidatos nas eleições do ano que vem.

Dos 11 senadores titulares indicados por blocos partidários para ocuparem as cadeiras da Comissão Parlamentar de Inquérito, seis podem concorrer a governos estaduais e dois devem disputar à reeleição ao Senado em 2022.

A CPI da Covid irá apurar eventuais omissões do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no combate à pandemia e a aplicação de verbas federais repassadas aos estados. A criação da comissão foi determinada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Em um momento de pandemia, a CPI tem um cenário favorável para ampliar o alcance político de seus membos. Isso porque, nas sessões da comissão, eles terão um espaço para demonstrar trabalho, defender aliados e atacar potenciais adversários nos estados.

A comissão tem 11 membros titulares, de acordo com a proporcionalidade partidária. Na sessão de terça-feira (13), quando foi lido o requerimento de instalação da CPI no plenário, ficou definida a seguinte divisão:

  • Bloco MDB, PP e Republicanos: três titulares

  • Bloco Podemos, PSDB e PSL: dois titulares

  • Partido PSD: dois titulares

  • Bloco DEM, PL e PSC: dois titulares

  • Bloco PT e PROS: um titular

  • Bloco PDT, CIDADANIA, REDE e PSB: um titular

El Senado de Brasil inicia deliberaciones sobre si debe sacar del cargo permanentemente a la presidenta Dilma Rousseff, en Brasilia, el jueves 25 de agosto de 2016. La primera mujer presidenta de Brasil está acusada de realizar maiobras fsicales para ocultar déficits. (AP Foto/Eraldo Peres)
Outro membro governista da CPI, que já anunciou publicamente que pretende concorrer à eleição de 2022, é o senador Jorginho Mello (PL), pré-candidato ao Governo de Santa Catarina (Foto: AP Foto/Eraldo Peres)

Não seria a primeira vez que uma CPI proporciona grande repercussão no Brasil, servindo de palanque para os parlamentares.

Em 2005, a CPI dos Correios alavancou nomes como o do atual prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM-RJ), o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM-BA), e Gustavo Fruet (PDT-PR), ex-prefeito de Curitiba.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, na CPI da Covid, o principal membro do campo governista será o senador Ciro Nogueira (PP), que comandará os apoiadores de Bolsonaro na comissão. Nogueira cumpre mandato e é pré-candidato ao Governo do Piauí no próximo ano.

Outro membro governista da CPI, que já anunciou publicamente que pretende concorrer à eleição de 2022, é o senador Jorginho Mello (PL), pré-candidato ao Governo de Santa Catarina.

Também governistas, os senadores Eduardo Girão (Podemos) e Marcos Rogério (DEM) podem concorrer, respectivamente, aos governos do Ceará e de Rondônia em 2022.