Senadores americanos denunciam aumento da mineração ilegal na América Latina

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Vista aérea do acampamento de mineração de ouro Esperança IV, próximo ao território indígena Menkragnoti, em Altamira, estado do Pará, Brasil, na bacia do Amazonas, em 28 de agosto de 2019 (AFP/Joao LAET)

Senadores democratas e republicanos denunciaram nesta quinta-feira (30) o "alarmante" aumento da mineração ilegal na América Latina na última década, condenando em particular o governo de Nicolás Maduro na Venezuela.

"Os lucros derivados da mineração ilegal de ouro tornaram-se a principal fonte de atividades financeiras ilícitas na região, superando os lucros gerados pela produção de coca e cocaína nos últimos anos", indica uma resolução bipartidária apresentada no Senado americano.

As práticas ilegais de mineração "ameaçam a segurança, a estabilidade e o meio ambiente da região", diz o texto patrocinado pelo presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, o democrata Bob Menendez, e apoiado por seus correligionários Tim Kaine e Ben Cardin e pelos republicanos Marco Rubio e Ted Cruz.

A resolução acusa o governo de Maduro de "facilitar direta e indiretamente" a mineração ilegal, causando "abusos dos direitos humanos, destruição do tecido social indígena, desmatamento, perda de habitat, degradação ambiental e aumento dos casos de malária e outras doenças na Venezuela".

O texto apela a uma melhor coordenação regional e internacional entre governo e indústria para mitigar os riscos que emanam da Venezuela e incentiva a promoção de práticas de mineração "legais, regulamentadas e sustentáveis" naquele país, bem como na Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, onde reconhece os esforços para combater esse crime.

Segundo dados citados na resolução, a Venezuela lidera as práticas de mineração ilegal na América Latina, com 90% do ouro extraído ilegalmente no país, seguida por Colômbia e Equador, com 80%; e Bolívia e Peru, com 30%.

O texto alerta que o escoamento de todo o ouro produzido na Venezuela, estimado em 75 toneladas por ano, com valor de mercado superior a 4 bilhões de dólares, pode contribuir para o financiamento de grupos armados paraestatais, corrupção e lavagem de dinheiro, entre outros crimes.

Na Venezuela, a mineração ilegal está concentrada na região do Arco Mineiro do Orinoco, no Parque Nacional Yapacana e na Reserva da Biosfera do Alto Orinoco-Casiquiare, onde vivem comunidades indígenas de 17 grupos étnicos.

Mais de 500.000 pessoas estão envolvidas em operações de mineração na Venezuela, das quais 45% são menores e a maioria são indígenas forçados a trabalhar e ameaçados de violência, de acordo com dados do CSIS, um centro de pesquisa com sede em Washington.

ad/ag/am

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