Senadores democratas criticam duramente retirada americana do Afeganistão

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O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, no Capitólio (AFP/Bill O'Leary)

Senadores do Partido Democrata criticaram, nesta terça-feira (14), o governo de Joe Biden pela retirada do Afeganistão, a qual um alto deputado descreveu como "fatalmente defeituosa".

O secretário de Estado, Antony Blinken, escutou as críticas durante seu discurso ao Comitê das Relações Exteriores do Senado, após ter sido alvo na segunda-feira da ira dos republicanos nessa mesma comissão da Câmara dos Representantes.

O democrata Bob Menendez, presidente do Comitê das Relações Exteriores do Senado e normalmente um aliado de Biden, relatou a agressão recebida por um jornalista por parte dos talibãs e disse: "A repressão do povo afegão está acontecendo em tempo real".

"Senhor secretário, a execução da retirada dos Estados Unidos foi clara e fatalmente defeituosa", disse Menendez.

"Este comitê espera receber uma explicação completa das decisões deste governo sobre o Afeganistão desde que assumiu o cargo em janeiro. Tem que ter responsabilidade", afirmou.

Menéndez, um crítico ferrenho de Mike Pompeo - o antecessor de Blinken à frente da Secretaria de Estado -, foi contra a assinatura de um acordo entre o governo anterior de Donald Trump e o Talibã para a retirada das tropas americanas e o fim da guerra mais duradoura dos Estados Unidos.

"O caos de agosto se deve em grande parte ao acordo de rendição de fevereiro de 2020 negociado por Donald Trump, um acordo que claramente se baseou em uma série de mentiras", insistiu Menéndez.

O senador Ben Cardin, também democrata, culpou Trump por pressionar pela libertação dos prisioneiros talibãs e pela redução de tropas como parte desse acordo.

No entanto, afirmou que as ações de Trump não "negaram" que o governo Biden tivesse informações sobre a força do governo e do exército afegãos, que caíram quando as tropas dos EUA ainda se estavam se retirando do país.

"Acredito que muitos de nós estamos interessados em saber por que os serviços de inteligência se equivocaram tanto", disse Cardin.

Blinken defendeu a decisão de Biden de retirar as tropas depois de 20 anos e disse que não acredita na pertinência de enviar mais soldados americanos para lá.

Questionado a respeito, afirmou que a comunidade da Inteligência disse em fevereiro que os talibãs poderiam tomar Cabul "dentro de um ou dois anos" no pior cenário.

Em julho, porém, uma avaliação atualizada informou que "havia mais probabilidades - e não menos - de o Talibã assumir o poder antes do fim do ano".

"Nada sugeriu que este governo (afegão) e as forças de segurança iriam cair em questão de 11 dias", afirmou.

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