Senadores falam em condução coercitiva de Pazuello na CPI da Covid, após visita de Onyx

·3 minuto de leitura
Eduardo Pazuello foi flagrado sem máscara em um shopping em Manaus (Foto: Reprodução)
Eduardo Pazuello foi flagrado sem máscara em um shopping em Manaus (Foto: Reprodução)

A visita do ministro da Secretaria-Geral, Onyx Lorenzoni, ao ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, nesta quinta-feira (6), repercutiu na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado.

O senador Jean Paul Prates (PT-RN) perguntou se haveria medida da CPI contra Pazuello por receber visita de Onyx após adiar depoimento. A hipótese gerou a reação dos parlamentares da base de apoio ao governo de Jair Bolsonaro.

Leia também

Mas o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM) negou tal intenção: "Não cometeu crime nenhum".

"Não cogitamos busca e apreensão, mas ele precisa colaborar", acrescentou o relator Renan Calheiros, lembrando que a medida seria em caso de extrema gravidade.

Na terça-feira (4), o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello comunicou à CPI da Covid no Senado que não compareceria ao seu depoimento porque estaria de "quarentena" — ele alegou que teve contato com pessoas com suspeita de Covid-19. Os senadores, então, remarcaram o depoimento para o dia 19.

No entanto, dois dias depois, nesta quinta-feira (6), o jornal Estadão flagrou o ex-ministro da Saúde recebendo a visita do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni (DEM), em Brasília.

Pazuello estuda a possibilidade de entrar com habeas corpus preventivo para permanecer em silêncio, segundo divulgado pelo site O Antagonista. Ele teria contratado o criminalista Zoser Hardman para auxiliá-lo. 

Hardman é especialista em tribunal do juri e já defendeu chefes de milícias do Rio, como Ricardo Teixeira da Cruz (Batman) e Wallace Pires (Robocop).

Queiroga foge das perguntas de senadores

O atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, depõe hoje na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado.

Questionado pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) sobre tratamento precoce durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, não respondeu e causou irritação de parlamentares.

"No momento oportuno ela será dada", disse Queiroga.

"Se o ministro não tem opinião sobre isso estamos muito mal", afirmou Tasso.

Queiroga
Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

O relator Renan Calheiros (MDB-AL) se irritou diversas vezes com a falta de respostas objetivas do chefe da Saúde. Queiroga afirmou que “vários sistemas de saúde do mundo tiveram dificuldade” no enfrentamento da crise sanitária.

“Não dá para comparar porque nenhum chefe de Estado chamou a Covid de gripezinha”, rebateu Renan.

O presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), também insistiu: “Recomendo que o senhor responda, cargos passam. A história fica. E pelo andar da carruagem, se troca de ministro da Saúde como se troca de camisa”.

Pressionado por Renan Calheiros sobre o motivo do colapso na saúde, Queiroga culpou a “imprevisibilidade biológica” e a falta de fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo o ministro, não houve pressão do governo federal para uso da cloroquina e ele não teve conhecimento de distribuição do medicamento em sua gestão.

“Não tratei com presidente sobre protocolos e remédios. Houve um compromisso de usar os recursos públicos para atender a população e formar um corpo técnico”, disse Queiroga.

Não autorizei e não tenho conhecimento de que esteja havendo distribuição de cloroquina na minha gestão”.

Quantidade de vacinas contratadas contra covid-19

Questionado pelo relator sobre a quantidade de vacinas contratadas, Queiroga se atrapalhou nos números.

“Qual é a verdade? Qual o volume de vacinas contratadas?”

“Isso já foi falado. 560 milhões. Não. Pera. 430 milhões. 430”, responde o ministro com a ajuda de um secretário.