Senadores de oito partidos falam em CPI e impeachment de Bolsonaro por coronavírus

Colaboradores Yahoo Notícias
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Brazilian President Jair Bolsonaro gestures during the Launch of the "Adote 1 Parque" (Adopt a Park) Program at Planalto Palace in Brasilia, on February 9, 2021. - The program aims to the contribution of private companies to the maintenance of national parks for environmental preservation. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

O grupo de WhatsApp com os 81 senadores do Congresso esteve agitado no último sábado (27). Representantes de oito partidos, inclusive integrantes da base aliada, criticaram a postura de Jair Bolsonaro (sem partido) e defenderam a instauração de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar e responsabilizar a atuação do presidente durante a pandemia de coronavírus.

A revista Época divulgou trechos das conversas pelo aplicativo de mensagens. Tasso Jereissati (PSDB-CE) puxou as críticas. Senadores de PSD, MDB, Cidadania, Rede, PROS, Podemos e Republicanos concordaram com a necessidade de responsabilizar Bolsonaro.

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“Senadoras e senadores, o presidente Bolsonaro esteve no Ceará, ontem, sexta-feira, quando cometeu pelo menos dois crimes contra a saúde pública, ao promover aglomerações sem proteção e ao convocar a população a não ficar em casa, desafiando a orientação do governo do estado e ainda ameaçando o governo de não receber o auxílio emergencial. Desta maneira a instalação da CPI no Senado tornou-se inadiável. Não podemos ficar omissos diante dessas irresponsabilidades que colocam em risco a vida de todos brasileiros”, escreveu Jereissati às 14h27.

“Toda razão amigo Tasso, o PR [presidente da República] afronta os governadores que estão na ponta cuidando da saúde nos estados, cabe ao Senado, a Casa da federação, contestar essa ação equivocada do PR JB [presidente da República Jair Bolsonaro], que leva a quebra de protocolos e leva à expansão da doença no país”, escreveu Otto Alencar (PSD-BA).

O senador acrescentou: “O PR receitou cloroquina, depois reconheceu que era placebo, muitos usaram. Aqui na Bahia alguns morreram por parada cardíaca, inclusive um médico morreu, Dr. Moisés, de Ilhéus, por parada cardíaca”.

“Isto, mestre Tasso. Dói na alma estas coisas. Ainda bem que temos governadores e prefeitos que cumprem seus deveres”, criticou Confúcio Moura (MDB-RR). “Concordo 100%”, escreveu Alessandro Vieira (Cidadania-SE). “Concordo, Tasso”, respondeu a senadora Zenaide Maia (PROS-RN).

“Registrei imediatamente as inconsequentes posturas presidenciais, com o respeito cabível e exigível, ao fazer carreata no dia que se verificara o maior número de óbitos de nacionais”, concordou Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB).

“Esse negacionismo já passou do limite. O Brasil já ultrapassou os 250 mil mortos e vamos ter lamentavelmente próximos dias muito graves em mortes e colapso da rede pública em vários estados", criticou Eduardo Braga (MDB-AM).

“Concordo e apoio a iniciativa do senador Tasso! Nosso PR [presidente da República] tem tido um comportamento totalmente errado em relação a como cuidar dos brasileiros no que diz respeito à pandemia. Desde o início, tudo errado. Não é razoável que depois de tudo o que aconteceu no mundo ele continue negacionista”, escreveu Oriovisto Guimarães (Podemos-PR).

“Um depoimento que contrapõe a insensatez e dureza de coração de muitos”, comentou Mecias de Jesus (Republicanos-RR) em cima de um vídeo em que o secretário de Saúde de Rondônia critica as aglomerações e faz um apelo pela conscientização.

“Concordo com Tasso Jereissati. Agora mais do que nunca sobejam razões para instalar a CPI”, escreveu Randolfe Rodrigues (Rede-AP). “Uma grande verdade, Tasso! Está na hora”, concordou Eliziane Gama (Cidadania-MA). “Concordo plenamente. Não há outro caminho”, acompanhou Humberto Costa (PT-PE).

“Concordo 100% (II). Aqui em Natal, há ‘discípulos’ até hoje: o prefeito”, escreveu Jean Paul Prates (MDB-RN), compartilhando um vídeo em que o prefeito de Natal, Álvaro Costa Dias (PSDB), recomenda o uso de ivermectina, medicamento sem comprovação científica para o combate à Covid-19.