Senador pede convocação para a CPI e quebra de sigilo de auditor do TCU responsável por documento citado por Bolsonaro

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BRASÍLIA — O senador petista Humberto Costa (PE), integrante da CPI da Covid, apresentou nesta terça-feira um requerimento para convocar o auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques para depor à comissão. Ele foi identificado como autor do relatório falso citado nesta segunda pelo presidente Jair Bolsonaro, que levanta a suspeita de o número de mortes por covid ser 50% menor do que o anunciado pelos Estados, o que foi desmentido pelo próprio tribunal. O requerimento também pede a quebra de sigilo telefônio e de comunicação em geral (incluindo aplicativos de mensagens) do servidor, além do afastamento dele do cargo.

Para que a convocação e a quebra de sigilos sejam autorizadas, é preciso que o pedido seja aprovado pela maioria dos membros da comissão.

O documento sob investigação foi citado por Bolsonaro na segunda-feira. Ele contesta o total de mortos por Covid-19 notificados pelos governos estaduais até o final de 2020, quando o Brasil registrou 195 mil óbitos por Covid-19. Em um arquivo de apenas duas páginas, o documento diz, considerando o crescimento médio no número de óbitos registrado ano a ano, as mortes por Covid-19 em 2020 poderiam ter sido 80 mil e não 195 mil.

“Os outros 115 mil óbitos apontados como consequências da pandemia podem ter, na verdade, outras causas mortis, ainda que eventualmente os de cujus fossem portadores da Covid-19 quando do seu falecimento”, diz um trecho do documento.

Na segunda-feira, Bolsonaro citou o documento como sendo um levantamento final feito pelo TCU. No mesmo dia, o tribunal usou suas redes sociais para desmentir o presidente e divulgou nota dizendo que “não há informações em relatórios do tribunal que apontem que 'em torno de 50% dos óbitos por Covid no ano passado não foram por Covid', conforme afirmação do presidente Jair Bolsonaro”.

Esta não é a primeira vez que Alexandre Figueiredo ganha destaque durante o governo do presidente Bolsonaro. Em julho de 2019, ele foi indicado pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, para ocupar a diretoria de Compliance da instituição.

Sua nomeação, no entanto, não foi efetivada. Ministros do TCU barraram a nomeação sob o argumento de que a atuação do auditor junto ao BNDES poderia gerar conflito de interesse uma vez que o tribunal é responsável por avaliar a gestão do banco.

A reportagem do GLOBO tentou, mas ainda não conseguiu contato com Alexandre Figueiredo.

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