Senegal: perfil do país na confluência de rotas comerciais e riquezas naturais do oeste africano

Barcos de pesca em Place N'Gor, em Dacar, capital do Senegal
Barcos de pesca em Place N'Gor, em Dacar, capital do Senegal

Localizado no ponto mais ocidental do continente africano e servido por múltiplas rotas aéreas e marítimas, o Senegal é conhecido como uma "porta de entrada" para a África.

A localização geográfica dotou o Senegal de uma fauna e uma flora exuberantes, em que se destacam dois símbolos nacionais: o leão e a árvore de baobá.

Aspecto mais sombrio da geografia senegalesa, a ilha da Gorée, na costa da capital Dacar, ficou conhecida por ser um ponto importante para o tráfico de pessoas escravizadas entre os séculos 15 e 19, quando também foram exportados marfim e ouro.

Considerado um modelo de democracia na África, o Senegal tem uma tradição de governos estáveis e civis, e inclusive já integrou forças internacionais de paz enviadas à República Democrática do Congo, Libéria e Kosovo.

A região que compreende o atual Senegal fazia parte dos antigos reinos Gana e Djolof. No fim do século 19, o Senegal virou uma colônia francesa, status que persistiu até a independência em 1960. Desde então o país é uma república presidencialista multipartidária.

A constituição de 2001, que entrou em vigor para substituir a de 1963, garante os direitos humanos fundamentais; as liberdades políticas, sindicais e religiosas; e um Estado democrático e secular. Mesmo assim, o país viveu tensões entre os diversos grupos étnicos que coexistem entre si.

Estátuas lembrando o comércio escravagista na ilha de Gorée. Senegal
Estátuas lembrando o comércio escravagista na ilha de Gorée. Senegal

Centenas de senegaleses foram mortos em um conflito separatista em Casamança, a região mais a sul do Senegal, quase separada do resto do país pelo minúsculo Estado da Gâmbia.

Ex-colônia portuguesa, as diferenças linguísticas e culturais da região alimentaram o sentimento separatista ainda nos anos 1980. Mas a violência diminuiu depois de um cessar-fogo em 2014. Em agosto de 2022, o governo e os rebeldes assinaram um acordo em que os rebeldes se comprometeram a depor as armas.

A economia senegalesa é predominantemente agrícola e dominada pelo amendoim. Antes da independência, as grandes empresas francesas comercializavam o produto e importavam manufaturados da Europa.

Sob o controle nacional, o país tem buscado expandir as fontes de renda para outros produtos agrícolas, como o algodão, produtos hortícolas e cana-de-açúcar, assim como a produção industrial, especialmente o processamento de alimentos.

A remessa de dinheiro de senegaleses que vivem no exterior é outra fonte importante de receita para as famílias.

FATOS

República do Senegal. Capital: Dacar  [ População 15,5 milhões ],[ Área 197 mil quilômetros quadrados ],[ Principal língua Francês (oficial), wolof, árabe e cerca de 36 outras línguas ],[ Principal religião Islamismo ],[ Expectativa de vida (2020) 68 anos (70 para mulheres e 66 para homens) ],[ Moeda CFA (moeda comum da Comunidade Financeira Africana), franco ], Source: Fonte: ONU, Banco Mundial, Image:
República do Senegal. Capital: Dacar [ População 15,5 milhões ],[ Área 197 mil quilômetros quadrados ],[ Principal língua Francês (oficial), wolof, árabe e cerca de 36 outras línguas ],[ Principal religião Islamismo ],[ Expectativa de vida (2020) 68 anos (70 para mulheres e 66 para homens) ],[ Moeda CFA (moeda comum da Comunidade Financeira Africana), franco ], Source: Fonte: ONU, Banco Mundial, Image:

LÍDER

Presidente: Macky Sall

Ex-aliado do ex-presidente Abdoulaye Wade, que governou o Senegal entre 2000 e 2012, Macky Sall criou o seu próprio partido de oposição em 2008 e derrotou Wade nas eleições de 2012.

Presidente Macky Sall
Presidente Macky Sall

Sall fez da busca por uma "paz definitiva" na região de Casamança uma das prioridades do seu segundo mandato. Em 2014, o líder rebelde Salif Sadio declarou um cessar-fogo unilateral, e em 2022 o governo e o rebelde assinaram um acordo de deposição das armas.

Em março de 2016, os senegaleses aprovaram em referendo uma proposta de Sall que reduziu o mandato presidencial de sete para cinco anos. Ele disse que queria que o Senegal desse um exemplo para a África, onde muitos líderes políticos buscam agarrar-se ao poder. A regra, porém, só valerá após o mandato de Sall, que foi renovado em 2019.

MEDIA

O panorama midiático do Senegal é um dos mais livres e diversificados da região. A Constituição garante a liberdade de informação e os abusos contra jornalistas são relativamente pouco frequentes, segundo a organização Repórteres sem Fronteiras.

RELAÇÕES COM O BRASIL

Em 2005, durante uma visita à ilha de Gorée, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pediu perdão ao povo africano pela escravidão. Acompanhado do então ministro da Cultura, Gilberto Gil, Lula visitou o "portão do nunca mais", ponto de saída dos navios negreiros. "Milhões deixaram esse continente por essa 'porta do nunca mais': a porta da morte. Não tenho nenhuma responsabilidade pelo que aconteceu nos séculos 16, 17 e 18. Mas penso que é uma boa política dizer ao povo do Senegal e da África: perdão pelo que fizemos," disse.

A declaração foi um marco na relação dos dois países, que por seu legado colonial compartilham traços culturais e linguísticos comuns. O Brasil já possuía um consulado em solo senegalês no século 19, e a embaixada brasileira na capital da nova república foi criada logo após a sua independência, em 1960. Foi a primeira representação brasileira na África subsaariana.

Os presidentes de Senegal, Abdoulaye Wade, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita de Lula à ilha de Gorée em 2005
Em 2005, durante uma visita à ilha de Gorée, o então presidente Lula pediu perdão ao povo africano pela escravidão

A cooperação técnica é um dos eixos centrais no relacionamento bilateral. Brasil e Senegal mantêm diálogos e projetos em áreas diversas, como defesa, saúde, produção de alimentos (horticultura, pecuária leiteira, arroz, mandioca e agricultura familiar), maquinário agrícola e biocombustíveis.

Em 2013, o Brasil perdoou 45% da dívida senegalesa, que somava na época US$ 6,5 milhões. A medida liberou recursos para que o país da África Ocidental pudesse investir no seu desenvolvimento e fazer novos negócios com o Brasil.

LINHA DO TEMPO

Datas importantes na história do Senegal:

Leopold Senghor
Leopold Senghor foi o primeiro presidente do Senegal independente e liderou o país por duas décadas

Século 8 - Região onde fica o atual Senegal faz parte do Reino do Gana.

1677 - França toma a ilha de Gorée da Holanda, dando início a quase 300 anos de ocupação francesa.

1756-63 - Guerra dos Sete Anos: A Grã-Bretanha toma localidades francesas no Senegal e forma a colônia de Senegambia. Anos mais tarde, a França recupera essas terras durante a guerra de independência americana (1775-1883) contra os britânicos.

1960 - Senegal se torna um país independente. A primeira constituição é aprovada em 1963.

2000 - O líder da oposição, Abdoulaye Wade, vence o segundo turno das eleições presidenciais, pondo fim a 40 anos de governo do Partido Socialista.

2002 - Senegal se classifica pela primeira vez para a etapa final da Copa do Mundo da Fifa, disputada simultaneamente na Coreia do Sul e Japão. A seleção senegalesa chegou às quartas-de-final, sendo eliminada pela Turquia, por 1 a 0. No jogo de estreia a seleção do Senegal derrotou o time da França que detinha o título de campeão do mundo.

2004 - Movimento separatista Casamança das Forças Democráticas (MFDC) assina um acordo com o governo com o objetivo de pôr fim à luta separatista iniciada nos anos 1980. A violência continua até 2014, quando o líder rebelde Salif Sadio declara um cessar-fogo unilateral em 2014.

2012 - Macky Sall vence as eleições presidenciais e a sua coligação ganha as eleições parlamentares. Os deputados resolvem abolir o Senado e o cargo de vice-presidente, num esforço para poupar dinheiro para o alívio das cheias. Críticos dizem que o objetivo é enfraquecer a oposição.

2016 - Proposta de reduzir o mandato presidencial de sete anos para cinco é aprovada em referendo. Regra valerá após o mandato de Macky Sall, renovado nas eleições de 2019.