China revela ser contrária a avanços balísticos da Coreia do Norte

Pequim, 20 mar (EFE).- O governo da China mostrou nesta segunda-feira sua "oposição aos esforços da Coreia do Norte para avançar no desenvolvimento de seus mísseis nucleares", um dia depois de o país vizinho ter testado com sucesso novos motores de propulsão para lançar armamento atômico.

"Nas circunstâncias atuais, todas as partes necessitam se acalmar, exercer contenção e considerar o objetivo da paz e da estabilidade na península da Coreia e do nordeste da Ásia, agindo de maneira prudente", respondeu em entrevista coletiva a porta-voz de Relações Exteriores da China, Hua Chunying.

A fonte oficial não quis avaliar se o teste, realizado com a presença do líder máximo norte-coreano, Kim Jong-un, tinha sido um gesto de desafio aos EUA ou à China, já que aconteceu no mesmo dia em que o presidente da China, Xi Jinping, se reuniu com o secretário de Estado americano, Rex Tillerson.

Hua assegurou por outro lado que os países envolvidos no conflito "se encontram em uma encruzilhada na qual a situação pode piorar ou pode haver um avanço que ajude a voltar ao caminho do diálogo", por isso todas as partes "devem agir com a cabeça fria".

A porta-voz da diplomacia chinesa se referiu à Coreia do Norte, mas também a sua vizinha do Sul, assim como a EUA, Rússia, Japão e a própria China, em qualidade de atores das negociações a seis partes para a desnuclearização da península que Pequim acolheu na década passada.

As negociações estão paralisadas desde que a Coreia do Norte realizou seus primeiros testes com armamento nuclear, mas a China, segundo a porta-voz, tenta sair deste ponto morto com novas propostas como a de "suspensão recíproca" apresentada este mês pelo ministro das Relações Exteriores, Wang Yi.

A proposta, que por enquanto não encontrou eco em Washington e Seul, sugere o fim das manobras militares da Coreia do Sul e dos EUA em troca do cancelamento dos testes atômicos e balísticos norte-coreanos.

A China, um aliado histórico da Coreia do Norte, ocupa uma delicada posição no conflito, pois embora se oponha aos avanços armamentísticos de Pyongyang, também é contrária ao desdobramento do escudo antimísseis THAAD que Seul e Washington desenvolvem como resposta.

Hoje a porta-voz Hua também tratou deste assunto, ao ressaltar que o alcance do radar do THAAD "penetrará profundamente no interior da Ásia e afetará grandes porções de território chinês".

"Entendemos os direitos legítimos da Coreia do Sul para manter sua segurança, mas eles não podem construir às custas da segurança chinesa", afirmou.

A oposição chinesa ao THAAD se materializou no boicote a produtos sul-coreanos no mercado do gigante asiático, e 90% dos shoppings na China da empresa sul-coreana Lotte, que cedeu os terrenos onde será instalado o escudo antimísseis, tiveram que fechar por protestos e pressões.

Hua também informou que os contatos entre China e EUA prosseguiram hoje, após a partida de Tillerson, com uma reunião em Pequim dos enviados especiais de ambos os países para a Coreia do Norte, o chinês Wu Dawei e o norte-americano Joseph Yun. EFE