'Sensível e delicado', diz delegado sobre o caso Henry

Rafael Nascimento de Souza
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Em coletiva realizada nesta quinta-feira, agentes envolvidos na investigação da morte do menino Henry Borel, de 4 anos, falaram sobre as prisões da mãe dele, Monique Medeiros da Costa e Silva, e o médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (Solidariedade). Os dois são suspeitos de envolvimento na morte da criança. Segundo o delegado Antenor Lopes Júnior, diretor do Departamento Geral de Polícia da Capital (DGPC) o caso “foi sensível e delicado”, já que o crime aconteceu em um apartamento onde não havia câmeras ou testemunhas. Ele afirmou também que "a população fluminense cobrava por uma resposta e um mês depois elas foram dadas".

— Essa investigação começou como um acidente doméstico. Mas a equipe do doutor Damasceno (Henrique Damasceno, delegado-titular da 16ª DP) percebeu que algo estava errado. A perícia técnica acompanhou (a investigação), assim como o Ministério Público. Era um local onde não existiam câmeras ou testemunhas. Mas, hoje, o caso está praticamente encerrado — disse.

Segundo Henrique Damasceno,o caso chegou na distrital no dia 8 de março e que a suspeita sobre as circunstâncias da morte de Henry foi levantada após os investigadores receberem o laudo pericial do corpo da criança:

— Tivemos dois depoimentos muito importantes, longos e necessários para entendermos a dinâmica. Algumas informações dadas foram importantes. Ali ficou claro que o Henry foi deixado pelo pai, chorou, a mãe levou ele para casa, deu banho e ele não apresentou nenhum desconforto. Uma foto dele antes de ir dormir demonstra que ele estava bem e em um curto intervalo ele chega morto no hospital. E quem estava com ele nesse momento era a mãe e o padrasto.

O delegado destacou ainda que foi descoberto outro caso de agressão do qual Jairinho é suspeito e é investigado pela Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV). E que, nas conversas entre Monique e a babá de Henry ficou constatada que o menino vivia uma rotina de violência.

— Após isso, conseguimos a busca e apreensão e apreendemos os celulares. No telefone da mãe encontramos prints de conversas que foram relevantes. Essas conversas eram do dia 2 de fevereiro, entre a mãe e a babá, na qual ficou revelada uma rotina de violência que o Henry sofria. A babá diz que o Henry relatou a ela que o padrasto pegou pelo braço e deu uma banda e o chutou. Ficou claro que houve lesão, já que a babá fala que o Henry estava mancando e não deixou que ela lavasse sua cabeça, que estava machucada — revelou o policial.

Damasceno disse que a investigação revelou que a rotina aparentemente harmoniosa da família "era uma farsa". E frisou que Monique mentiu para a polícia "para proteger o assassino do filho":

— Com as múltiplas lesões no cadáver, e as conversas, notamos que era uma farsa aquela família harmoniosa. A mãe não comunicou à polícia, não afastou o agressor do convívio da criança. Além disso, quando verificamos o pior resultado possível de violência, que é a morte, ela esteve na delegacia e mentiu para proteger o assassino do filho. Ela se omitiu e concordou com esse resultado. Ela se manteve firme.

Monique e Dr. Jairinho (Solidariedade) foram presos em Bangu, na Zona Oeste do Rio, por policiais da 16ª DP (Barra da Tijuca), acusados de envolvimento na morte do filho de Monique, Henry Borel Medeiros, de 4 anos. Após um mês de investigação, a polícia concluiu que o vereador agredia o enteado, e que a mãe da criança sabia disso — pelo menos desde o dia 12 de fevereiro. Ele, Monique e a babá do menino teriam mentido quando disseram que a relação da família era harmoniosa. De acordo com as investigações, Jairinho dava bandas, chutes e pancadas na cabeça do menino, que morreu no último dia 8 de março. Jairinho e Monique foram encontrados na casa de uma assessora do vereador.

O laudo de necropsia aponta que o menino teve hemorragia interna e laceração hepática, provocada por ação contundente, e que o corpo da criança apresentava equimoses, hematomas, edemas e contusões. Peritos ouvidos pelo EXTRA afirmam que os ferimentos não são compatíveis com um acidente doméstico. Um alto executivo da área de saúde afirmou ter sido contactado por Jairinho para agilizar a liberação do corpo sem o encaminhamento para o Instituto Médico Legal (IML), no Centro da cidade.