'Me senti no Velho Oeste', diz passageira de ônibus cercado por 15 cavaleiros no Rio

Um vídeo que circula nas redes sociais, gravado dentro de um ônibus da linha 497, mostra o momento que o coletivo é cercado por ao menos 15 pessoas montadas em cavalos. Uma passageira, que não quis ser identificada, conta que o episódio ocorreu no fim da tarde de ontem (31), por volta das 17h. No início, a professora, de 35 anos, estava preocupada com os animais e com o risco de um acidente. Mas logo, o que era apenas uma cena atípica na Avenida Brasil, tomou outras proporções quando os cavaleiros começaram a alvejar o ônibus com pedras. O episódio está sendo apurado pela polícia.

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— Pensei que o motorista tinha batido em um dos cavalos. De repente os cavaleiros ficaram muito exaltados. Eu parei de filmar e todo mundo do ônibus se jogou no chão. O clima ficou muito hostil — conta a passageira.

A passageira relata que sentiu muito medo de ser atingida. De acordo com ela, diversas janelas foram quebradas e algumas pessoas ficaram arranhadas pelos estilhaços de vidros. A porta de trás do ônibus também ficou danificada. Os cavaleiros gritavam algo com o motorista, mas ela não conseguiu identificar o que eles falavam.

— Eu me senti no Velho Oeste, em uma terra sem lei. É isso que o Rio de Janeiro se tornou. Todo mundo estava incrédulo. Ninguém sabia o que estava acontecendo — desabafa.

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Com o ônibus cheio, os passageiros pediam para o motorista seguir, mas a cavalaria e porta quebrada impediam que o coletivo pegasse velocidade. De acordo com ela, o motorista conseguiu se desvencilhar do cerco na altura da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Pouco tempo depois, ele fez uma parada e contou que os cavaleiros estavam atrás de alguém que estava dentro do ônibus. Os passageiros especularam que poderia se tratar do integrante de uma facção rival.

Nesta segunda, a professora relatou o ocorrido em suas redes sociais. Até o momento da publicação desta reportagem o depoimento tinha mais de 4 mil curtidas. A 21ª DP de Bonsucesso está apurando o ocorrido.

— Se eu não tivesse gravado o que aconteceu, eu ia acordar hoje e pensar que foi um pesadelo — afirma a passageira.

*Estagiária sob supervisão de Leila Youssef

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