Separado, Otto se reinventa na pintura e fala da relação com a filha com Alessandra Negrini, de 16 anos: ‘Me botou nos eixos’

Carol Marques
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O ano de 2020 ficará marcado para Otto não só como um período de incerteza e angústia. Longe dos palcos em função do isolamento provocado pelo coronavírus, o cantor pernambucano se viu mergulhando em outras formas artísticas. De maneira quase obsessiva, ele passou a pintar o dia todo. O que era um hobby despretensioso, tornou-se um ganha-pão em tempos de espera e deu a sua alma inquieta um novo sentido.

“Começo de manhã bem cedo e vou até 20h, 21h, pintando. É um prazer acima de tudo, uma felicidade. Antes fazia umas pinturas, guardava. Não me sentia preparado para mostrá-las. Até que houve um interesse do meu público e passei a fazer uma exposição virtual permanente no Instagram”, conta ele, que criou o perfil Ottopintamatomeia, onde exibe e vende suas obras: “Essencialmente tenho vivido dos meus quadros”.

Autodidata, assim como começou na música, Otto pinta em acrílica sobre papel canson e passou a se aventurar recentemente pelas telas, grandes como ele. “Fico exausto, as telas me dão mais trabalho. Mas é uma expressão bem diferente, o modo de fazer, de preencher. Estou gostando muito dessa fase”, admite.

Um legado para o mundo

Morando em São Paulo há quatro anos, ele vê crescer a pilha de trabalhos que o ajudou a manter a serenidade nos meses mais difíceis do ano. Em sua conta, de cabeça, deve haver mais de 100 quadros espalhados no apartamento. Alguns já foram parar em outros países, outras cidades, devidamente emoldurados por ele, que quer ver sua obra perpetuar.

Aos 52 anos, Otto pensa em seu legado. “Já não vou viver muito mais. Digamos aí que tenha uns 30 anos para me comunicar, me manter ativo artisticamente. Quero deixar tudo isso para o mundo. O que conta em todo esse processo é a produção. Seja na música, nos quadros, na escrita, na poesia. Tudo é arte”, avalia.

Os quadros do agora pintor Otto, ele jura, não são caros. “Mas também não são qualquer coisa. Chamei amigos que entendem para avaliar, me ensinaram sobre valor agregado e chegamos aos preços. Não venho de uma escola ou um gênero. Não uso réguas para traçar minhas retas. Gosto assim, de um estilo que desenvolvi me jogando nestas telas em branco”, justifica.

Separados com amor

Dono de dois gatos na capital paulista, Otto não sabe dizer ao certo se está definitivamente solteiro. O casamento com a fotógrafa Kenza Said, há três anos, durou até o início da pandemia. “Eu não tinha sido perguntado ainda sobre isso. Sei te dizer que estamos separados, mas com muito amor. Ela está na França, foi para lá quando tudo reabriu, está com a família, e eu fiquei aqui... É, estou sozinho”, conclui.

E a solitude chegou em boa hora, ele observa. “Estou adorando esse momento, de ficar na minha casa, criando. Desobrindo outros lados e formas de me expressar”, diz. De um ano para cá, ele também passou a cuidar melhor da saúde. “Descobri que sou diabético e fiz algumas mudanças. Cortei o açúcar, mudei alimentação, passei a me exercitar, tomar insulina. Foi uma mudança. Se fizesse hoje o que eu fazia aos 30 anos, eu estaria morto”, brinca.

Filha: o melhor da vida

Os momentos introspectivos são quebrados com a companhia de Betina, sua filha de 16 anos, fruto do casamento com Alessandra Negrini. Ao falar dela, um sorriso se abre. Otto é fã da jovem, que segundo ele o desarmou. “Temos uma relação maravilhosa, de muita parceria. Eu era muito briguento. Mas deixei de confrontar a Betina. Porque ela me vence nos argumentos, me botou nos eixos”, admite ele, que tem verdadeira admiração pelo que a garota pensa e diz:

“ Essa geração nasceu com olhares muito lá na frente, já não têm as questões que a gente teve. Não pensam em gênero, são mais conscientes. Jovens que questiona, têm resposta e senso do que é o mundo. Betina foi a coisa mais linda que aconteceu na minha vida. Mudou tudo desde o dia em que nasceu”, derrama-se, ele, que não sabe se a menina vai trilhar o caminho artístico dos pais: “Ela toca piano muito bem e vejo nela o que eu e Alessandra somos. Não existe uma pressão para que ela siga o mesmo. Mas se quiser seguir, sei que ela será feliz. Porque a arte é uma felicidade”.