Separados pela pandemia: especialistas dão dicas para pais e filhos se aproximarem mesmo a quilômetros de distância

Giuliana de Toledo e Raphaela Ramos
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Foto: Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal

Fotos, mensagens e videochamadas narraram o nascimento da pequena Gaia, em Roma, para seu pai, Vinicius Tankevicius, em São Paulo. Devido às restrições impostas pela pandemia do novo coronavírus, o brasileiro de 25 anos não pôde acompanhar o parto, em julho — nem mesmo a gestação da namorada, a italiana Alessia Coppola, de 23 —, e até hoje só viu a filha a distância, por ligações com vídeo.

Vinicius e Alessia se conheceram em maio de 2019, pela internet, e não demoraram a começar o namoro. Ele estava com viagem marcada para março, para visitar a namorada, já grávida, mas o voo foi cancelado dias antes da partida, em meio à escalada das contaminações. Desde então, eles ficaram sem previsão para se reencontrar (leia a reportagem completa no site de O GLOBO).

Uma opção seria mãe e filha virem ao Brasil, que reabriu os aeroportos para os estrangeiros no fim de julho, mas a viagem não é recomendada por causa do tempo de vida de Gaia. Já a Itália colocou nosso país na chamada Lista F, de nações restritas. Vinicius e Alessia poderiam tentar viajar, ambos, para algum outro país, mas a despesa seria enorme, e, mesmo assim, eles não teriam a certeza de que se encontrariam, justamente por causa das medidas contra o coronavírus na Europa.

— É um absurdo minha filha estar crescendo sem conhecer o pai. E ele está sendo privado de muitas emoções que nunca vão voltar — diz a italiana.

Assim como eles, casais e famílias de todo o mundo estão sofrendo pela separação forçada pela pandemia, que fechou fronteiras e dificultou os encontros, principalmente aqueles que dependem de viagens mais longas. Para tentar sensibilizar as autoridades, foi criado o movimento Love Is Not Tourism (Amor Não é Turismo, na tradução). Um abaixo-assinado on-line do grupo pede a eliminação das proibições de viagens para que casais possam se reunir, e mais de 35 mil pessoas já assinaram. A petição oferece como contrapartida a garantia de que cada viajante irá bancar seu teste e fazer quarentena ao desembarcar.

A psicóloga carioca Ana Café explica que o isolamento social, apesar de necessário, traz impactos diretos para a saúde mental e emocional das pessoas. Ela ressalta que as crianças são ainda mais vulneráveis, por isso, aquelas que estiverem sem ver um dos pais nesse período precisam ser bem orientadas:

— As informações claras e transparentes são fundamentais para essa criança se sentir segura. O impacto também depende da idade. Crianças menores irão sentir, mas será menos do que aquelas com maior compreensão do tempo e do espaço que cada parente ocupa em sua vida. Uma criança que não esteja bem amparada pode desenvolver um sentimento de abandono.

Em relação aos casais, Ana diz que muitos têm resistido bem à distância. No entanto, caso o relacionamento esteja desgastado, ela recomenda repensá-lo:

— Para relacionamentos pautados em cobranças, inseguranças e medo constante de traição, o melhor é encerrar a relação. Esse desgaste não é saudável nem faz ninguém feliz.

A convite do EXTRA, a psicóloga Ana Café e a advogada e mediadora Thais Mattos listaram recomendações para ajudar pais e filhos — e também casais — a enfrentarem a distância estreitarem as relações.

Como estreitar a relação

Olho no olho, mesmo que pela tela do celular...

A tecnologia atual permite realizar chamadas de vídeo individuais ou coletivas, que podem ser usadas para que a família toda se veja e mantenha o contato mesmo estando longe fisicamente

Diversão a distância

Interagir por meio de jogos on-line ou assistir a filmes e séries ao mesmo tempo são algumas atividades que casais ou parentes de uma mesma família podem fazer e que geram assuntos em comum para que todos conversem juntos depois

Café da manhã, almoço ou jantar?

Combinar de fazer uma refeição no mesmo horário, enquanto conversam por chamada de vídeo, também é uma dica para encurtar a distância

Vídeo surpresa

Nos aniversários e nas datas comemorativas, além das celebrações por chamada de vídeo — aqui, vale cantar parabéns com os celulares ligados ou mesmo brindar e conversar à mesa —, uma opção legal de presente é fazer um vídeo surpresa e enviar, com fotos antigas, depoimentos de parentes e amigos, mandar recados de algum lugar que marcou a história de vocês... Enfim, uma homenagem emocionante!

Brincadeira de criança

Para a diversão dos pequenos que estão distantes de algum membro da família, uma ideia é usar fotos das pessoas que moram longe para fazer brincadeiras, como um jogo da memória

Criar rotina é bom, sim!

É importante tentar fazer com que a pessoa que está distante se sinta na rotina da casa. Manter o contato diário para saber como o outro está, perguntar como foi o dia e telefonar por chamada de vídeo para ver, por exemplo, uma arrumação nova da casa são algumas dicas