Separatistas catalães voltam às ruas antes de negociações com Madri

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Manifestação do separatismo catalão em 11 de setembro de 2017 em Barcelona (AFP/Pau Barrena)

Entre bandeiras e gritos a favor da independência, milhares de catalães marcharam neste sábado (11) pelas ruas de Barcelona por ocasião da festa regional da Catalunha, à qual o movimento chegou dividido e a poucos dias de retomar as negociações com o governo espanhol.

Apesar de a Catalunha ter sido um dos epicentros da quinta onda da pandemia, o declínio das infecções permitiu a realização de um protesto que procurou recuperar o espírito das marchas massivas do dia 11 de setembro de há alguns anos.

Com uma participação estimada de 108.000 pessoas, de acordo com a polícia municipal (e 400.000 para a organização), o protesto deste sábado foi o segundo menor desde que esses eventos de massa começaram em 2012, longe do pico de 1,8 milhão de pessoas em 2014, em plena escalada da independência.

Marcados por rígidas restrições sanitárias, os eventos do ano passado tiveram menos de 60.000 participantes.

Em um ambiente mais normalizado, os gritos de "Independência" e "1º de outubro, nem esquecimento, nem perdão" voltaram a ser ouvidos, em referência ao referendo ilegal de 2017, enquanto a marcha avançava.

Mas desde o fracasso da tentativa de secessão de 2017, a decepção e as divisões que se apoderaram do separatismo também chegaram às ruas.

"As pessoas têm muito medo da pandemia e também estão cansadas de alguns políticos. Há muito desânimo", confessou Narcís Vilar, aposentado de 70 anos, que este ano participou da passeata pela primeira vez sozinho.

Poucos metros à frente, Manel Garzón, compartilhava sua raiva, mas estava surpreendido por uma assistência maior do que esperava. "As pessoas querem aquilo por que lutamos desde 2010", disse o aposentado de 79 anos.

A mobilização deste ano acontece a poucos dias de o governo de esquerda de Pedro Sánchez e o executivo regional de Aragonès voltarem a se reunir para buscar uma saída para a crise, após uma única reunião realizada antes da pandemia.

Mas apesar do fato de o partido de Aragonès, ERC, ser um aliado importante do governo minoritário de Sánchez no Congresso espanhol, ambos chegam com roteiros opostos.

Madri não contempla aceitar as duas demandas fundamentais do movimento pela independência: a celebração de um referendo de autodeterminação, que exigiria modificações na Constituição, nem uma anistia para os indiciados por participarem da tentativa separatista de 2017.

O diálogo se anuncia muito difícil, especialmente depois que Madri anunciou esta semana a suspensão do polêmico projeto de expansão do aeroporto de Barcelona, alegando falta de confiança no executivo regional, em uma decisão que Aragonès qualificou de "chantagem" e desencadeou nova onda de tensão.

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