Separatistas pró-Rússia afirmam ter cercado cidade-chave de Lisitchansk, na Ucrânia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Separatistas pró-Rússia afirmaram neste sábado (2) que Lisitchansk, cidade-chave no leste da Ucrânia onde ocorreram violentos combates nos últimos dias, está cercada. Na guerra de versões que marca este conflito, Kiev admite a ocorrência de intensas batalhas, mas diz que o município não está rodeado.

"Hoje, a milícia popular de Lugansk [província na região do Donbass] e as Forças Armadas russas ocuparam as últimas posições estratégicas [no local], o que nos permite dizer que Lisitchansk está cercada", disse Andrei Marotchko, membro do exército separatista, citado pela agência estatal russa Tass.

A localidade é a última importante na área que ainda está sob controle dos militares de Kiev. Sua cidade gêmea, Severodonetsk, separada pelo rio Donets, caiu nas mãos de Moscou na semana passada, depois de as tropas ucranianas, que combateram ali por semanas, retirarem-se da região.

A tomada de Lisitchansk permitiria aos russos avançar até Sloviansk e Kramatorsk, outras duas cidades importantes no Donbass, o leste ucraniano, cuja conquista é o objetivo declarado do Kremlin.

Apesar da ofensiva russa, tropas em Konstiantinivka, a 115 km de Lisitchansk, afirmam ter conseguido manter aberta a estrada de abastecimento para a cidade em apuros. "Ainda usamos a estrada, mas ela está ao alcance da artilharia russa", disse um soldado que pediu para não ser identificado. "A tática russa agora é bombardear qualquer prédio em que possamos nos localizar. Depois, eles passam para o próximo."

O relato do militar é corroborado pela declaração de Serhi Gaidai, governador de Lugansk, que escreveu no aplicativo de mensagens Telegram que casas em vilarejos atacados estão sendo incendiadas uma a uma --e os bombardeios impediriam os moradores de conseguir apagar os incêndios.

Também neste sábado, explosões abalaram Mikolaiv, no sul, segundo o prefeito Oleksandr Senkevtch. A causa não ficou clara, embora a Rússia tenha dito mais tarde que atingiu postos de comando do Exército ucraniano na área. As afirmações não puderam ser verificadas de forma independente. Ao longo dos últimos dias, Moscou atacou cidades bem atrás da linha de frente no leste. Na sexta, um míssil destruiu um prédio residencial perto de Odessa, no sul, deixando, segundo as autoridades locais, ao menos 21 mortos. Na segunda, um shopping foi atingido, em Krementchuk, na região central, matando 19 pessoas.

Em um discurso ao Parlamento do país, na sexta-feira, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, denunciou os ataques como "terror russo consciente e deliberadamente direcionado, não algum tipo de erro ou um ataque de míssil coincidente". Moscou nega tais acusações e diz que não mira civis.

No entanto, desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, em 24 de fevereiro, milhares deles foram mortos, e cidades, arrasadas. Apesar de terem sido agredidas no leste, as forças ucranianas fizeram alguns avanços em outras localidades, incluindo forçar a Rússia a se retirar da Ilha da Cobra, um afloramento do Mar Negro cerca de 140 km a sudeste de Odessa que os russos haviam capturado no início do conflito.

Moscou usou a ilha para impor um bloqueio à Ucrânia, um dos maiores exportadores de grãos do mundo e um grande produtor de sementes para óleos vegetais. As interrupções impulsionaram um aumento nos preços globais de grãos e alimentos. A Rússia, também grande produtora de grãos, nega ter provocado a crise alimentar, culpando as sanções impostas pelo Ocidente por prejudicar suas exportações.

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