'Será um dia muito especial para a História do país', diz Lula ao votar

Vestido de branco, o candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) votou pouco depois das 9h deste domingo de segundo turno em seu berço político, São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. O petista manteve a tradição que existe desde 1989 e foi às urnas na Escola Estadual Firmino Correia de Araújo.

— O povo está decidindo o modelo de vida que quer, por isso hoje é o dia mais importante da minha vida. Estou convencido de que o brasileiro vai votar em um projeto em que a democracia seja vencedora, um projeto em que a gente possa resgatar as pessoas que estão com fome — disse Lula.

Pesquisa Ipec divulgada no sábado mostra Lula com 54% dos votos válidos contra 46% do presidente Jair Bolsonaro (PL). Já a Datafolha indica o petista com 52% dos votos válidos e Bolsonaro, 48%.

Lula votou acompanhado da mulher, Rosângela da Silva, a Janja, do candidato a vice Geraldo Alckmin (PSB), do candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), da deputada federal eleita Marina Silva (Rede) e do deputado federal André Janones (Avante-MG).

— Para mim é um dia gratificante e para muita gente será um dia muito especial para a História do Brasil — disse o petista, cercado por aliados, apoiadores e gritos de "Lula lá".

Apesar de morar em São Paulo, Lula não mudou o antigo local de votação. O ex-presidente morou por décadas na cidade de São Bernardo do Campo, onde começou sua carreira política como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, na década de 1970.

Episódio Zambelli: 'Ignorância' e 'Velho Oeste'

Em coletiva de imprensa após a votação, Lula comentou ainda o evento ocorrido na tarde de sábado, em que a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) correu armada atrás de um homem nos Jardins, região nobre de São Paulo. A deputada afirma ter sido hostilizada por "militantes de Lula".

— É a demonstração de uma ignorância, de falta de respeito à democracia. Foi uma cena grotesca, como se a gente estivesse no Velho Oeste — afirmou o ex-presidente.

Lula comentou ainda que gostaria que, caso saia vitorioso nas urnas, a transição fosse "igual àquela que o presidente FH nos permitiu”.

Lula afirmou que "uma nova vida será restabelecida no Brasil":

— Ser bom é melhor que ser mau.

O petista também comentou sobre seus planos de governo e que quer "reconstruir o Mercosul e a Unasul".

— Se eu ganhar as eleições eu vou ter praticamente dois meses antes da posse. Não é muito tempo para fazer um governo de transição, que eu nem sei se o presidente vai querer fazer governo de transição. Se eu ganhar, eu quero fazer uma viagem a alguns países simbólicos, um país da América do Sul, os EUA, a China — afirmou.

Disse ainda que terá especial atenção ao Sistema Único de Saúde, o SUS:

— Uma das coisas que nós vamos cuidar muito é do SUS, porque o SUS deu uma lição ao mundo e a muitas autoridades brasileiras que não acreditavam.

O petista deve passar o resto do dia em casa, onde também acompanhará a apuração dos votos ao lado de aliados próximos e integrantes da campanha. No primeiro turno, Lula viu a contagem de votos em um hotel no Centro de São Paulo.

Agora, a ideia é que ele só vá para o hotel para fazer o pronunciamento depois que a apuração estiver encerrada.