Serasa muda método de calcular score para beneficiar bom pagador

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A Serasa anunciou nesta quarta-feira (26) que está implementando um novo método para calcular o score dos consumidores, com o objetivo de beneficiar bons pagadores, ou seja, quem toma crédito e quita suas contas em dia. A novidade está disponível, a princípio, para uma parcela da população através do aplicativo da empresa. No entanto, a expectativa é que dentro de duas semanas todos os brasileiros já tenham a sua pontuação atualizada e acessível pelo site.

Apelidado de Serasa Score 2.0, o novo modelo de cálculo leva em consideração informações da base de dados do SPC Brasil e do Cadastro Positivo, como gastos no cartão de crédito, empréstimos e limite, atribuindo uma nota de 0 a 1.000 ao pagador. Quanto menor for a pontuação, maior é o risco de inadimplência.

— Antes, era atribuído maior peso aos dados negativos, por exemplo quando o consumidor atrasava as contas. Agora, estamos dando mais importância ao pagamento de compromissos de crédito. Quem paga tudo em dia terá um score maior. Já quem paga só o mínimo da fatura do cartão de crédito terá sua nota reduzida — explicou Lucas Lopes, diretor de produtos da Serasa.

Quem tem o hábito de usar o cartão de crédito de forma consciente também irá se beneficiar. Isso acontece porque conforme maior é o histórico de compras, maior é a certeza que a instituição tem de afirmar que o consumidor honra suas dívidas. E o único jeito de aumentar a pontuação no sistema é negociando o que está pendente e pagando o crédito tomado até o período de vencimento.

— Vemos na internet ofertas de aumentar o score, mediante pagamento de um determinado valor. Isso não existe. A forma de ter uma boa pontuação é quitando as dívidas na data correta — alerta Lopes sobre golpe financeiro.

Dados positivos (cartão de crédito, consórcio, consignado, empréstimos e financiamentos), comportamentos de pagamento, tempo dos contratos e tipos de contratos representavam 26% da nota no modelo antigo e passarão a representar 65% agora. Em contrapartida, informações de dívidas, histórico de regularização e em aberto que tinham peso de 57% passarão a significar 19% no Score 2.0.

Consultas para novos contratos de serviço e crédito terão peso semelhante, mudando de 17% para 19%.

Faixa de score

Padrão do Score antigo

Padrão do Score novo

Muito bom

800-1000

701-1000

Bom

600-800

501-700

Regular

400-600

301-500

Baixo

0-400

0-300

A crise econômica tem feito muitas pessoas recorrerem ao cartão de crédito para quitar gastos essenciais, como despesas de mercado e farmácia. No entanto, uma hora a fatura chega, e a dívida, se não for quitada no prazo, pode virar uma bola de neve.

Embora muitos consumidores não saibam, ao pagar apenas o "mínimo do cartão de crédito" o valor residual não é transferido para o próximo mês sem ônus. Este é o momento em que os juros rotativos dão as caras.

— Independentemente de o cliente ter feito ou não o pagamento mínimo, obviamente o não pagamento integral da fatura tem custos. Haverá incidência de juros sobre a diferença entre o valor da fatura e o pagamento mínimo, que atualmente se situa em mais de 300% ao ano. Logo, no mês seguinte a dívida do cliente vai ter aumentado consideravelmente — alerta o economista e professor do Ibmec RJ, Christiano Arrigoni.

Segundo alteração regulatória estabelecida pelo Banco Central, o cliente do cartão de crédito só pode ficar no rotativo por, no máximo, um mês. Depois desse prazo, o banco deve oferecer um crédito parcelado que seja vantajoso para o cliente, e a dívida do rotativo então é “transformada” numa nova dívida parcelada, geralmente com taxa de juros inferior à do rotativo. Apesar disso, Arrigoni recomenda que, caso esteja nessa situação, o consumidor tente trocar a dívida cara por outra mais barata, buscando algum empréstimo com taxas menores ou um consignado.

— Com as regras em vigor, os bancos já são obrigados a oferecer um novo crédito com melhores condições aos clientes do rotativo. Porém, pode ser que essa alternativa não seja a melhor para o cliente em termos de juros e prazo. Logo, no momento dessa negociação, o cliente deve ficar atento às alternativas. Por exemplo, se tem acesso a um crédito consignado, então será melhor para ele tomar emprestado no consignado para quitar a dívida no rotativo do que aceitar a oferta de crédito do banco — analisa o economista.

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