Serena Williams convoca mulheres a investirem em startups e coloca Brasil no radar

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Serena Williams durante conferência a investidores (Foto: Divulgação XP)
Serena Williams durante conferência a investidores (Foto: Divulgação XP)

A tenista Serena Williams, 40 anos, desembarcou em São Paulo nesta semana para compartilhar com o público da Expert XP os objetivos e desafios da sua jornada de empresária frente à gestora de capital de risco Serena Ventures. Entrevistada por José Berenguer, CEO do Banco XP, e Betina Roxo, Head de Canais digitais do banco, no encerramento do evento que, em dois dias, teve quase 35 mil visitantes e mais de 1 milhão de espectadores remotos, a atleta e investidora levantou a bandeira da diversidade no mundo financeiro e anunciou que a sua empresa deve abrir uma nova rodada de captação em breve. No radar de repasses dos recursos estão startups de países da África e da América Latina (incluindo o Brasil), revelou Serena.

Mais mulheres precisam dar grandes cheques para outras mulheres

A vencedora de 23 torneios de Grand Slam contou que o espírito empreendedor do pai sempre a inspirou, mas que o click para embarcar no mundo dos negócios veio ao observar com mais atenção os banners de patrocínio de grandes marcas na lateral das quadras de tênis. Com a meta de fazer sucesso também como empresária, a atleta buscou conhecimento em uma imersão no Vale do Silício, onde se apaixonou pelo mundo das startups.

Serena já era investidora quando participou de um evento do banco JP Morgan que despertou nela um novo propósito: “Cerca de 4 ou 5 anos atrás, eu decidi lançar a Serena Ventures. Eu estava em Miami, em uma conferência do JP Morgan, porque eu já investia há uns quatro anos, e nessa conferência Jamie Dimon estava no palco conversando com Caryn Becker. Ela é CEO da Clear, e ela disse que menos de 2% de todo dinheiro de VC ia para mulheres. Estamos falando de bilhões de dólares, possivelmente até trilhões (...) Eu pensei 'Ok, a única maneira de mudar aquele número, aquela estatística, era ter gente como eu, uma mulher negra, passando cheques grandes. Homens gostam de passar cheques para outros homens. Mulheres gostam de dar cheques para outras mulheres. Para mim, precisamos de mais mulheres em grandes palcos, dando grandes cheques.", afirma Serena.

Hoje, a tenista tem mais de 60 empresas no portfólio de investimentos, sendo 13 unicórnios (startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão). No início de 2022, ela e sócia Alison Rapaport Stillman conseguiram levantar cerca de US$ 111 milhões para montar um fundo de capital de risco para aplicar recursos fora dos Estados Unidos. De acordo com Serena, 68% das empresas investidas foram fundadas por mulheres, pretos, pardos e asiáticos.

“As pessoas falam em inclusão e diversidade, mas nossa empresa investe em todos. Meu marido é branco, então investimos em homens brancos também. Mas por minha causa e por causa de minha sócia, por causa de quem somos, naturalmente vemos mais mulheres. Mais mulheres vêm até nós e ficam mais à vontade conversando com a gente porque acreditam que têm uma chance, que é uma boa chance para que elas sejam ouvidas e vistas. E essa é a nossa tese”, analisa a tenista.

Fundadores com causa autêntica tem maior potencial

Serena tem ambição nas metas de sua empresa e afirma querer que a SV seja como a sua versão no mundo esportivo, um negócio de alcance mundial. Com a próxima rodada de captação, a empresária planeja destinar recursos a startups de países africanos e da América Latina. De acordo com a investidora, o Brasil também vai ganhar atenção especial.

Pensar a longo prazo e espírito de inovação são características que despertam o interesse de Serena e sua sócia. “A nossa empresa também gosta de pensar fora da caixa quando se trata de capital de risco. Queremos nos esforçar e ter espírito de startup: aquela empresa que vai abrindo portas e pensando diferente”, afirma Serena.

“Eu acredito que os melhores fundadores são aqueles que resolvem uma dor pela qual passaram ou que impactou alguém importante em suas vidas”, disse a empresária. “Quando o mercado mudar, o que você vai fazer? Se não é algo que está conectado ao seu propósito, dificilmente vou apoiar esta ideia. Tenha certeza de que seja algo autêntico e que tenha uma conexão verdadeira com você”, orienta a investidora.

Lista de prioridades e equilíbrio

Ao fim do painel, Serena falou sobre o desafio que as mulheres em geral têm em equilibrar a vida pessoal com as atividades profissionais . De acordo com a atleta e empresária é preciso eleger prioridades e, a partir delas, incluir outras demandas.

“Nós mulheres fazemos tanto, que precisamos priorizar mais. Se priorizarmos, nós entendemos que, às vezes temos que abrir mão de algo. Família e Deus são o mais importante para mim. Os negócios, às vezes, entram antes do tênis. E tudo bem”, revelou a ex-número 1 do mundo no tênis que encerrou a conversa com um conselho às mulheres: “Curtam o que vocês fazem. Sejam gentis com todos.”.

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