Sergio Mattarella, uma longa e discreta carreira política na Itália

Cristina Cabrejas.

Roma, 31 jan (EFE).- O novo presidente da Itália, Sergio Mattarella, de 73 anos, é um jurista com uma importante carreira política, iniciada na Democracia Cristã (DC) e que o levou a ser várias vezes ministro, apesar do perfil considerado como discreto.

Desde que começou a circular como possível candidato a novo chefe de Estado, a imprensa italiana destacou que, apesar de ser juiz do Tribunal Constitucional desde 2011, nem todos lembravam de seu nome e que era difícil encontrá-lo até mesmo para entrevistas.

A discrição, a ausência de polêmicas na carreira de um dos poucos democratas-cristãos que sobreviveu à "Operação Mãos Limpas", grande escândalo de corrupção dos anos 90, e o respeito pelo resto das forças políticas do país foram destacados pelos meios de comunicação italianos.

Nascido em Palermo, Mattarella será o primeiro siliciano a chegar à presidência do país e, além disso, conta com um importante passado de combate à máfia.

O líder do DC, Ciriaco de Mita, o encarregou da gestão do partido na Sicília, com o objetivo de limpá-la dos escândalos entre membros da Cosa Nostra e os prefeitos de Palermo Vito Ciancimino e Salvo Lima.

Seu irmão, Piersanti Mattarella, foi assassinado pela máfia em 6 de janeiro de 1980, quando o agora novo presidente comandava a região da Sicília.

A escolha de Mattarella, católico praticante e membro na juventude do movimento Ação Católica, viúvo e pai de três filhos, foi criticada por alguns grupos. Ele é considerado como "expoente da velha política" e "integrante da primeira República italiana", como é chamado o período anterior à "Operação Mãos Limpas".

Além disso, sua candidatura foi totalmente rejeitada pelo ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi e seu partido, Forza Italia. Os demais grupos de direita também se opuseram à escolha do novo presidente.

Berlusconi não se esquece de como Matterella renunciou, em 26 de janeiro de 1990, ao cargo de ministro da Educação do governo de Giulio Andreotti, como forma de protesto pela aprovação da lei "Mammì", que reorganizava a imprensa italiana e garantia três emissoras de TV ao grupo Mediaset, empresa do ex-primeiro-ministro.

Mattarella nasceu no dia 23 de julho de 1941, em Palermo. Estudou Direito e foi professor de Direito Parlamentar na Universidade de sua cidade natal. Atualmente era juiz do Tribunal Constitucional após ter sido eleito pelo parlamento em outubro de 2011 por 572 votos.

Começou a carreira política no DC, na ala mais à esquerda do partido, e foi eleito como deputado pela primeira vez em 1983. Foi reeleito em 1987, 1992, 1996, 2001 e 2006.

Foi um dos redatores do manifesto de criação do Partido Democrático (PD), do primeiro-ministro Matteo Renzi, em 2007, mas nunca se filiou ao grupo. Um ano depois, se deixou de participar ativamente da política do país.

Além de assumir o ministério da Educação durante a gestão de Andreotti, foi ministro de Relações com o Parlamento no governo de Ciriaco De Mita (1988-1989).

A ele se deve o antigo sistema eleitoral conhecido como "Mattarellum", pelo qual foram realizadas as eleições de 1994 e 2001, e que mudou o governo de Berlusconi.

Posteriormente, ocupou os cargos de vice-presidente do Conselho de Ministros (1998-1999) e de ministro da Defesa (1999-2000), quando aboliu a obrigatoriedade do serviço militar, no governo de esquerda de Massimo D'Alema.

Além da atuação no governo, Mattarella fez parte de várias comissões no parlamento italiano, como as de Reforma Institucional, Terrorismo, Máfia, Crime Organizado e Assuntos Constitucionais. EFE