Sergio Moro estará no jogo de 2022. Só não se sabe com quem nem para quê

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Former Brazil's Justice Minister Sergio Moro arrives at a hotel after a meeting in the Federal Police headquarters, in Brasilia, Brazil May 12, 2020. REUTERS/Adriano Machado
O ex-ministro da Justiça Sergio Moro. Foto: Adriano Machado/Reuters

Se a eleição fosse hoje, os dois principais candidatos da disputa, Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, teriam a preferência de quase sete em cada dez eleitores em um dos cenários apurados na pesquisa Ipespe divulgada nesta semana. O petista é o favorito, com 42% dos votos. O atual presidente vem na sequência, com 25%.

Juntos, os demais somam 28% das intenções. Entre eles está Sergio Moro, nome favorito de 7% dos eleitores — empatado tecnicamente com Ciro Gomes, com 9%, e à frente do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (3%).

A dispersão dos votos entre os candidatos a candidatos a terceira via (sic) mostra que só uma frente realmente ampla poderia tirar Bolsonaro do segundo turno. Ainda assim, no limite. Falta combinar com os russos (sem trocadilho).

Essa hipótese hoje é praticamente inviável. Ciro não abre mão da candidatura. O futuro candidato tucano, seja Leite ou seu adversário nas prévias tucanas, o governador paulista João Doria, também não.

A via estreita praticamente inviabiliza a transformação de Sergio Moro, o nome mais improvável entre as opções sondadas pelo instituto, em candidato a presidente.

Juiz que condenou Lula em primeira instância e o tirou do jogo em 2018, pouco antes de ver seu bate-bola com os acusadores exposto pela Vaza Jato, Moro tem tanta capacidade de atrair os votos à esquerda quanto seu ex-chefe e atual presidente: nenhuma.

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Hoje é figura rejeitada também entre os apoiadores do presidente, que o veem como traidor desde que deixou o Ministério da Justiça sob a alegação de que não aceitava as interferências políticas na Polícia Federal.

O divórcio foi traumático, e Moro foi trabalhar nos EUA em uma consultoria que ajuda a reconstruir parte das empresas que ele condenou no passado.

Mas seus dias em Washington estão contados.

Moro viajou ao Brasil nesta semana para tratar do futuro. Segundo a colunista Bela Megale, do jornal O Globo, o ex-juiz jantou em São Paulo com o governador tucano João Doria e Luiz Henrique Mandetta (DEM). Certamente o assunto à mesa não era as chances do Palmeiras na final da Libertadores contra o Flamengo.

No encontro ele teria colocado como condições para apoiar qualquer projeto político em 2022 a prioridade do combate à corrupção e bandeiras como a prisão em segunda instância.

Antes do jantar o ex-ministro de Bolsonaro se encontrou também com lideranças do MBL (Movimento Brasil Livre).

Moro tem em sua mesa uma proposta para concorrer à Presidência ou, se quiser, ao Senado, pelo Podemos.

Espertamente, o ex-juiz deixou para novembro o anúncio de sua decisão. Até lá já terão acontecido as prévias do PSDB e a fusão entre DEM e PSL. Se der Leite, é provável que o novo partido anuncie uma aliança com os tucanos em 2022 —um caminho mais complexo se o nome do partido for Doria.

Durante o mês Moro poderá sentir a temperatura das ruas, onde o MBL tem fracassado em sua tentativa de mobilizar grandes atos em defesa do impeachment de Bolsonaro.

Proclamado herói nos protestos pelo impeachment que pariram Jair Bolsonaro, Moro já não tem a moral de antes com os manifestantes de verde-e-amarelo. Não tem também a mesma atenção midiática de seus tempos como juiz linha-dura.

O cavalo encilhado passou por ele em 2018 e ele saltou pensando que realmente seria o superministro de Bolsonaro. Saiu de Brasília pelos fundos.

Invertendo o ditado gaúcho, o equino pode passar novamente à sua porta em direção a 2022, mas com uma sela mais desgastada e um cenário adverso, polarizado e de difícil acesso.

É mais provável que Moro entre na briga como apoiador, e não como líder em busca de apoio. 

A porta da frente é uma possível candidatura ao Senado, que poderia turbinar as chances de um candidato tucano, apoiado ou não pelos órfãos do bolsonarismo aninhados na União Brasil, provável nome da fusão entre DEM e PSL. 

Doria (ou Leite), com Mandetta de vice e Moro no palanque, de olho no Senado e a promessa de voo mais alto até 2026, seria hoje o arranjo mais provável para desafiar os dois candidatos favoritos da disputa. As chances da turma emplacar estão diretamente associadas à capacidade de Bolsonaro estancar a crise econômica e a consequente perda de popularidade nos próximos meses.

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