Saída de Moro é "o começo do fim" do governo Bolsonaro, diz líder da bancada da bala

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Foto: AP Foto/Eraldo Peres
Foto: AP Foto/Eraldo Peres

O deputado Capitão Augusto (PL-SP) demonstrou incredulidade ao receber a notícia de que Sergio Moro deixou o cargo de Ministro da Justiça e Segurança Pública do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), nesta sexta-feira (24).

"Vai ser um desastre completo, é o princípio do fim deste governo", disse. "Moro é popular, está na galeria dos heróis contemporâneos, que nem Bolsonaro, nem Paulo Guedes fazem parte", afirmou o deputado ao blog Painel, do jornal Folha de S.Paulo.

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Capitão Augusto ainda projeta más notícias para o presidente em um futuro próximo. Para ele, Bolsonaro deve ver seu apoio na chamada “Bancada da Bala”, formada por mais de cem parlamentares, diminuir de forma considerável.

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"Ainda mais se a demissão foi por uma razão não republicana. Nem o PT teve a petulância de interferir na PF", afirmou ele.

Na visão de Augusto, Moro era o principal pilar do governo de Bolsonaro, que se elegeu com apoio gigantesco de eleitores que se diziam “antipetistas".

"O antipetismo é Moro", disse. "Se Bolsonaro demiti-lo será uma derrota popular e também no meio político".

Pronunciamento de Moro

O agora ex-ministro da Justiça Sergio Moro fez um anúncio contundente a respeito dos motivos de sua saída do governo de Jair Bolsonaro. O ex-juiz federal, alçado ao holofotes do combate à corrupção por sua atuação frente a Operação Lava-Jato, deixa o governo depois de o presidente exonerar Mauricio Valeixo, diretor-geral da Polícia Federal.

“Para mim, esse último ato (de exonerar Valeixo) é uma sinalização que o presidente me quer fora do cargo (...). Eu não tinha como aceitar essa substituição em respeito a minha biografia. Seria um tiro na Lava Jato se houvesse substituição de delegados, superintendentes e etc. Preciso preservar meu compromisso que fiz com o presidente de que seríamos firmes no combate à corrupção, crime organizado e violência”.

O ex-ministro alertou que a troca seria uma interferência política na PF e que Bolsonaro concordou que seria mesmo. “Essa interferência pode levar a relações impróprias entre diretor e superintendentes com o presidente e isso eu não posso concordar”, destacou.