Com voos frustrados, Moro, Doria e Leite voltam ao ponto de origem e recalculam rota

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Brazil's former Justice Minister Sergio Moro looks on during the launching ceremony of the pre-candidacy of Deputy Luciano Bivar in Brasilia, Brazil May 31, 2022. REUTERS/Adriano Machado
O ex-juiz, ex-minstro, ex-consultor, ex-futuro ministro do STF e ex-presidenciável Sergio Moro. Foto: Adriano Machado/Reuters

Em meados de 2016, ano-chave para se entender como chegamos até aqui, João Doria era “só” um empresário paulista com ambições políticas. Eduardo Leite, seu correligionário, era um jovem e promissor político do interior gaúcho que sonhava em ser governador e Sergio Moro, um então juiz de primeira instância em Curitiba em busca de projeção nacional e um emprego em Brasília.

Seis anos se passaram.

O mundo deu voltas, chacoalhou, levou cada um deles para um foguete particular e fez com que cada um deles voltasse ao ponto de origem.

O trio durante meses alimentou e teve alimentadas as pretensões de ganhar de seus partidos a indicação para concorrer à Presidência em 2022. A certa altura pareciam dispostos a botar na praça uma joint-venture de suas pretensões em forma de aliança.

Meses atrás, Doria sinalizava ter pavimentado o caminho natural em direção ao Planalto ao vencer Eduardo Leite nas prévias de seu partido. Parecia ser o auge de uma carreira meteórica que engordou o currículo com uma gestão-relâmpago na prefeitura de São Paulo e uma passagem incompleta pelo governo paulista.

Leite tinha 29 anos quando venceu a disputa pela prefeitura de Pelotas em 2012. É ainda hoje o mais jovem prefeito da história da cidade. Só não concorreu a um segundo mandato porque se dizia contra a reeleição. Desde então passou a se dedicar a outro salto na carreira política. Foi eleito governador dois anos depois.

Moro, outro ex-futuro presidente da República, fez um pouco de tudo nos últimos seis anos. Só não vendeu paleta mexicana.

Ele atuou como juiz até o fim de 2018, quando foi chamado para integrar o governo de Jair Bolsonaro. A vida em Brasília tornava-se realidade.

Ele trabalhou pouco mais de um ano como superministro com a expectativa de um dia ser indicado ao Supremo Tribunal Federal. Deixou o cargo após uma reunião na qual percebeu que o presidente da República mandava no titular da Justiça e não o contrário. Era o começo do fim do sonho.

Tentou a vida na iniciativa privada, passou uma temporada trabalhando para uma consultoria que ajudava a refazer as vidas de empreiteiras que ele ajudou a quebrar, atravessou um corredor de acusações sobre remunerações indevidas e decisões parciais e com um duplo twist carpado reapareceu em Brasília como pré-candidato à Presidência pelo Podemos.

Meses depois, talvez pensando ser peixe graúdo demais para nadar num aquário partidário mediano, migou para o União Brasil, onde descobriu que não era bem-vindo como candidato a presidente –no máximo a deputado ou senador.

Na metade do caminho entre o jovem aspirante de Curitiba e o futuro presidente da nação, o ex-juiz, ex-ministro, ex-consultor e ex-presidenciável decidiu fixar domicílio em São Paulo, onde recalcularia a rota até a capital da República. Teve registro rejeitado pela Justiça Eleitoral e voltou para o Paraná.

Assim como em 2016, seu futuro político segue agora indefinido, entre sinalizações de desejo, entraves e negativas.

Um dia antes de o ex-juiz anunciar o que faria da vida depois de tanto capotar, Doria, seu ex-futuro-aliado comunicou que estava de volta à empresa da família onde construiu sua carreira política dizendo que não era político, e sim gestor –a mesma conversa usada em sua reestreia.

Leite, por sua vez, anunciava no mesmo dia seu desejo de voltar ao lugar de onde, sabe-se agora, não deveria ter saído. Vai disputar novamente o governo do Rio Grande do Sul, espécie de prêmio de consolação que tentará (re)conquistar após o voo frustrado em direção ao Planalto.

A volta do trio aos pontos de origem após tantos anos, tantas ambições e tantas promessas de abalo à chamada política tradicional diz muito sobre os giros em falso da chamada terceira via –por enquanto um acostamento mal sinalizado em uma pista dominada por dois francos favoritos.

Diz também sobre as idas e vindas da “nova política” antes que tudo voltasse a ser como era na(s) década(s) passada(s).

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