Repertório de Sergio Moro até aqui se resume a um arsenal de platitudes

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Former Brazil's Justice Minister Sergio Moro speaks during his Podemos Party membership ceremony in Brasilia, Brazil, November 10, 2021. REUTERS/Adriano Machado
O pré-candidato à Presidência pelo Podemos, Sergio Moro. Foto: Adriano Machado/Reuters

“O Brasil precisa de pessoas honestas e especialistas capacitados que, juntos, pensem em soluções para resolver os problemas do país, como o combate à fome, a geração de emprego e a responsabilidade fiscal.

O Brasil precisa de um projeto de país. É necessário um projeto de sonhos, não de pesadelos.

O PIB em queda é consequência da alta na inflação e do risco fiscal. O Brasil precisa de um projeto sólido e direcionado à geração de empregos e ao crescimento econômico. Um projeto em que as pessoas estarão em primeiro lugar e acima de tudo.

Essas pessoas querem prosperar. O governo deve ter como missão facilitar a vida daqueles que querem empreender, gerando emprego e renda.

Hoje a economia vai mal. Infelizmente. Uma inflação de mais de 10% ao ano é como se todos tivessem corte de salário nesta mesma proporção.

Mas temos que olhar para frente: fazer a economia crescer e gerar empregos. E não voltar aos tempos de recessão.

É preciso olhar para as crianças e adolescentes. Isso inclui investimento em educação de qualidade, formação baseada em princípios e valores e combate a todo tipo de violência.

O lema para esse país é ‘prosperidade para todos’, sem essa bobagem de inventar inimigos entre nós.

Temos de recuperar a credibilidade fiscal do país e acelerar as privatizações. Chega de vacilos nessa área!

O agro também precisa de apoio. O Brasil pode ser o celeiro do mundo, sem excluir ninguém da prosperidade, e também ser uma liderança no desenvolvimento sustentável.

A pandemia da corrupção também mata, mas muitos fingem não ver.

Sem liderança e projeto, o país permanecerá refém de interesses pessoais ou partidários. Ou mudamos isso ou não há governo que funcione.

Queremos ruptura. Para arrebentar essa polarização política que não nos leva a lugar nenhum, para romper com o patrimonialismo, que nos mantém atrasados, e encerrar o ciclo de baixo crescimento, que impede a prosperidade”.

Se enviasse a redação acima aos meus professores do cursinho é provável que ela fosse devolvida com rabiscos, perguntas em letras garrafais e pontos de exclamação. Um dos questionamentos seria se andei lendo demais as pílulas de sabedoria do Conselheiro Acácio, personagem de Eça de Queirós conhecido por falar muito sem dizer exatamente nada. E se eu contasse que as frases acima, um verdadeiro monumento à obviedade, não são de um candidato ao vestibular, mas de um pré-candidato a presidente?

Com uma adaptação aqui e ali, as sentenças foram retiradas das postagens de Sergio Moro no Twitter desde que se filiou ao Podemos, em novembro do ano passado, e se colocou na pista da sucessão presidencial.

Torcidas e retorcidas, as ideias formam um conjunto de platitudes que têm marcado as falas do presidenciável até aqui. Ao fim de cada frase é difícil conter algum “ah, vá”. (O slogan perfeito da campanha, aliás).

As entrevistas que vêm concedendo valeriam um comentário à parte.

Nesta semana, Moro causou choque ao responder de pronto a uma questão levantada por ele mesmo sobre as razões de a Inglaterra crescer e a Somália, não. “São as instituições”.

No auge da Lava Jato, o então juiz de Curitiba, incensado pelos meios de comunicação como um cruzado da luta anticorrupção, ganhou fama com o público devido ao suposto rigor na aplicação da lei contra políticos e empresários investigados.

Com a Vaza Jato, a fama se inverteu, e o que ficou para a História era justamente seu desleixo com o texto constitucional.

Para emplacar sua versão presidenciável, Moro faria bem se fingisse ao menos algum rigor com a leitura de fatos históricos.

Ele descobriria que entre a Inglaterra e a Somália há mais coisas no bloco de sedimentos coloniais do que supõe a profundidade de seu pires analítico. O mesmo que tem usado para mergulhar e apresentar suas saídas para os conflitos e contradições nacionais.

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