Sergio Moro se filia ao Podemos visando eleições de 2022

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O ex-juiz Sergio Moro acena para o público durante o evento de sua filiação ao partido Podemos, em Brasília, em 10 de novembro de 2021 (AFP/EVARISTO SA)

O ex-juiz Sergio Moro, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro e principal nome da operação Lava Jato, se filiou nesta quarta-feira (10) ao partido Podemos, do senador e ex-candidato presidencial Álvaro Dias, do Paraná, com o objetivo de participar das eleições de 2022.

Moro, no entanto, não definiu para qual cargo concorrerá, mas a cúpula do Podemos já o classifica como "futuro presidente do Brasil".

Assim, Moro é mais um dos nomes ventilados para a chamada "terceira via", que representaria uma alternativa ao atual presidente Jair Bolsonaro e ao ex-mandatário Luiz Inácio Lula da Silva, que ainda não anunciou oficialmente a sua candidatura, mas é apontado como favorito nas pesquisas.

"Se para tanto, for necessário assumir a liderança nesse projeto, meu nome sempre estará à disposição do povo brasileiro", disse Moro durante a cerimônia de filiação em Brasília. "Não fugirei dessa luta, embora saiba que será difícil", acrescentou.

Atualmente, a bancada do Podemos na Câmara dos Deputados conta com 10 parlamentares, de um total de 513, e nove senadores, de um total de 81.

De acordo com as últimas pesquisas de intenção de voto para 2022, Bolsonaro soma 26% de apoio do eleitorado, contra 44% de Lula. Moro, por sua vez, não chega a 10%.

Moro foi o principal nome da operação Lava Jato, que revelou uma rede de pagamento de propinas a políticos em troca de contratos com a Petrobras. Em 2017, quando comandava a 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, o ex-juiz condenou Lula a nove anos e meio de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O ex-presidente permaneceu 19 meses na prisão e foi impedido de concorrer nas eleições de 2018, que elegeram Bolsonaro.

Com a vitória do ex-capitão, Moro foi convidado a assumir o Ministério da Justiça de seu futuro governo e abandonou, depois de 22 anos, sua carreira na magistratura para fazer parte do primeiro escalão do Executivo de Bolsonaro. Contudo, o ex-juiz deixou o cargo em abril de 2020, após acusar o presidente de tentar interferir na Polícia Federal.

Bolsonaro, por sua vez, afirma que Moro é um "traidor", enquanto Lula o acusa de conspirar para impedir sua candidatura em 2018.

Lula foi colocado em liberdade em novembro de 2019, em meio a questionamentos sobra a atuação dos investigadores da Lava Jato. Entre março e junho de 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações contra Lula e declarou Moro um juiz "parcial" nesses casos.

"A entrada do Moro na política alimenta o discurso dos antilavajatistas, dos críticos da operação Lava Jato, porque, naquela época, diziam que ele tinha um projeto eleitoral, que queria ser presidente, coisa que ele sempre negou", disse à AFP Edson Sardinha, diretor de redação do site Congresso em Foco.

Moro, por outro lado, assinalou que sua eventual candidatura "não é um projeto pessoal de poder".

Se não conseguir apoio suficiente para concorrer à Presidência, especula-se que ex-juiz poderia tentar uma vaga no Senado.

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