Sergio Rodrigues Atelier reedita peças clássicas em madeira ebanizada e lança catálogo assinado por Gilda Midani

Lívia Breves
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Certa vez, o arquiteto e designer Sergio Rodrigues (1927-2014) disse que “Tratar a madeira com amor é perpetuar no produto o espírito da floresta”. A frase que sempre serviu como um norte para o ateliê passou a fazer ainda mais sentido em tempos pandêmicos, quando a alma da natureza mostrou-se ainda mais fundamental. Foi pensando nisso que o arquiteto Fernando Mendes, que dirige a Sergio Rodrigues Atelier, decidiu reeditar algumas peças e criar imagens que propõem uma fuga para as montanhas, em busca de novos ares.

Ele convidou a estilista Gilda Midani para fazer a direção de arte e, a grande surpresa, clicar as peças, enquanto Luiza Jacobsen idealizou a campanha. O resultado virou uma exposição, em cartaz na Arquivo Contemporâneo Ipanema desde o dia 10. O ensaio marca o lançamento da coleção All Black, formada por cinco móveis de Sergio em uma versão superchique que junta madeira ebanizada e couro preto: as poltronas Renata (1996) e Benjamin (2014); as cadeiras Gaia (1980) e Nikolas (1969); e o banco Marcos (1960).

Gilda escolheu cinco temas como pano de fundo (varanda, floresta, deserto, campo e bambu) e usou sua expertise na moda para vestir as peças com revestimentos em tons orgânicos, em couro ou linho. “Foi um encontro incrível. Confesso que, hoje em dia, a essa altura da vida, é raro eu ter vontade de investir em uma relação nova. Mas também é raro ver tanta competência, seriedade, leveza e alegria em um projeto. Sem falar nas peças, que dispensam comentários. São de uma beleza histórica, ícones do melhor do design brasileiro”, comenta Gilda sobre o encontro,

O cenário escolhido foi a fazenda de Paulo Jacobsen no Vale das Videiras, na região serrana do Rio. Fernando comenta que sentiu o mesmo prazer de sair do confinamento para estar nesse projeto. “Partimos todos animados para uma grande brincadeira ao ar livre, um presente depois de tantos meses confinados. Os móveis posaram como modelos cheios de personalidade em ambientes delicadamente escolhidos para cada grupo de peças. Sombras, transparências, raios de sol, tudo foi aproveitado”, comenta Fernando. “Na foto da linha Cuiabá, as cadeiras parecem leões tomando sol na savana.

Em outro momento, os banquinhos Marcos passeiam desvendando mistérios da floresta. Há o sabor matinal nas fotos de fundo claro e a densidade das peças All Black, como as poltronas Renata e Benjamin, entre os troncos das árvores e os arbustos. De um clique para o outro, os contornos desenhados por Sergio Rodrigues foram graciosamente abraçados por esses espaços inspiradores e pelo olhar desbravador da versão fotógrafa de Gilda”, diz ele.

No Rio, as peças estão à venda na Arquivo Contemporâneo, com preços que variam de R$ 6.050, o banco Marcos, até R$ 35.200, a poltrona Benjamim.