Serrana, em SP, começa vacinação para estudo sobre a covid-19

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Vista geral, tomada em 17 de fevereiro de 2021, de Serrana, pequeno município brasileiro onde uma experiência clínica única teve início nesta quarta-feira: a vacinação de toda a população contra a covid-19

A cidade de Serrana, no interior do estado de São Paulo, iniciou nesta quarta-feira (17) a vacinação de toda sua população adulta, como parte de um estudo clínico inédito do Instituto Butantan para analisar o impacto da imunização no controle da pandemia.

O ambicioso Projeto S prevê aplicar em dois meses as duas doses da vacina CoronaVac a 30 mil dos 50 mil habitantes de Serrana.

A iniciativa é coordenada pelo Instituto Butantan, centro de pesquisa e produção de vacinas vinculado ao governo de São Paulo.

Para sua execução, foram destinadas 60 mil doses da vacina CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac, com a qual o estado iniciou sua campanha de vacinação contra a covid-19 em janeiro.

As filas começaram a se formar pela manhã nas ruas de paralelepípedos do centro da cidade, em frente às oito escolas transformadas em postos de vacinação.

"Estou louco para abraçar meus netos", contou Edson José Félix, de 81 anos, um dos primeiros a ser vacinado em uma sala de aula não utilizada por conta da pandemia, à AFP.

"Estamos acompanhando essa operação com entusiasmo, há muito tempo que a esperávamos", acrescenta a esposa Margarida, de 80 anos, com quem tem cinco filhas. Ambos receberão a segunda dose em seu sexagésimo aniversário de casamento.

- "Momento histórico" -

A cidade foi dividida em quatro setores, e a vacinação ocorrerá nas próximas oito semanas em oito escolas do município.

"Não se trata apenas de uma vacinação em massa. O objetivo do estudo é ver a eficácia da vacinação em uma comunidade e, assim, identificar em que medida a imunização individual tem efeito coletivo", explicou o diretor de estudos clínicos do Instituto Butantan, Ricardo Palacios.

As autoridades de saúde esperam que o estudo, no qual trabalham mais de 500 pessoas e que deve durar um ano e meio, permita identificar o fluxo da taxa de transmissão do vírus em uma população imunizada, o comportamento frente a novas variantes da covid-19, o número de pessoas que devem ser vacinadas para interromper a circulação do vírus e o impacto econômico dessa estratégia.

"É um estudo inédito no mundo", disse o governador de São Paulo, João Doria, em entrevista coletiva que antecedeu o início da vacinação esta manhã.

Grávidas, lactantes, pessoas com doenças graves e menores estão excluídos do estudo.

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, explicou em entrevista coletiva que Serrana foi a escolhida para este estudo, que representa a primeira experiência de vacinação em massa no Brasil, por ser uma cidade pequena, ter uma boa estrutura hospitalar, estar perto de um centro de pesquisa e por sua alta taxa de incidência da covid-19.

Serrana registra uma taxa de 5.248 infecções por 100 mil habitantes, atualmente a maior taxa entre os municípios paulistas, segundo Covas.

Desde o início da pandemia, há um ano, a cidade registrou 2.367 casos e 52 mortes. O Brasil já registra mais de 240.000 mortes e quase 10 milhões de infecções.

Em pouco mais de um mês, mais de 5,5 milhões de brasileiros (2,6% do país) foram imunizados com a CoronaVac e com a vacina desenvolvida pela AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford.

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