Serrana registrou uma morte em toda população imunizada em massa contra a Covid-19

Redação Notícias
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O município, de pouco mais de 45 mil habitantes, foi o escolhido para fazer parte do <a href="https://br.noticias.yahoo.com/butantan-butanvac-covid-19-inicio-testes-anvisa-101512885.html" data-ylk="slk:Projeto S;outcm:mb_qualified_link;_E:mb_qualified_link;ct:story;" class="link rapid-noclick-resp yahoo-link"><strong>Projeto S</strong></a>, um estudo do Instituto Butantan que vai avaliar a eficácia da CoronaVac na prevenção de infecções pelo coronavírus (Foto: Reprodução)
O município, de pouco mais de 45 mil habitantes, foi o escolhido para fazer parte do Projeto S, um estudo do Instituto Butantan que vai avaliar a eficácia da CoronaVac na prevenção de infecções pelo coronavírus (Foto: Reprodução)
  • Serrana registrou uma morte em população vacina em massa contra a Covid-19

  • Mortes sobem para seis quando analisados dados daqueles que tomaram apenas a primeira dose do imunizante

  • O prefeito de Serrana, Léo Capitelli (MDB), destacou que o Projeto S é referência no mundo e que "enche de orgulho" saber que existe o "Butantan"

O município de Serrana, no interior de São Paulo, que tornou-se a primeira cidade brasileira a contar com uma população economicamente ativa protegida contra Covid-19, registrou uma morte em toda as pessoas imunizadas com as duas doses na vacinação em massa encerrada neste domingo (11).

Do total de 27.150 voluntários imunizados com as duas doses da vacina CoronaVac, um morreu em decorrência da doença, segundo reportagem da CNN Brasil. Ou seja, o índice de mortalidade pela pandemia em vacinados em massa na cidade é de 0,004%.

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O município, de pouco mais de 45 mil habitantes, foi o escolhido para fazer parte do Projeto S, um estudo do Instituto Butantan que vai avaliar a eficácia da CoronaVac na prevenção de infecções pelo coronavírus.

Segundo o jornal, quando quando analisados os voluntários que tomaram apenas uma dose da vacina, o número de óbitos sobe para seis. Em outras palavras, cinco pessoas morreram após terem tomado apenas uma dose da CoronaVac — uma pessoa morreu após ter tomado as duas doses.

"A vacina foi atacada por muitas pessoas de forma absolutamente injusta, aqui [em Serrana] quase 98% das pessoas aceitaram tomar a vacina. Isso se consegue através de um trabalho em que se unifica a voz da ciência e das autoridades", afirmou o diretor médico de pesquisa clínica do Instituto Butantan, Ricardo Palacios.

Segundo os dados apresentados neste domingo (11) sobre o 'Projeto S', a aceitação geral da população para a vacina foi de 97,7%. Um total de 27,722 foram vacinadas com as duas doses da Coronavac.

"A vacina não apresenta eficácia relevante sem a segunda dose, essa é a importância de tomar as duas doses e foi atingido durante o programa. O engajamento da sociedade foi essencial, um vizinho chamou o outro, o pastou falou às pessoas, os líderes comunitários. A eficácia não é absoluta em casos mais graves, a resposta imune pode não se estabelecer de uma forma perfeita. Não se pode baixar a guarda por completo por estar vacinado", ressaltou Palácios.

Referência no mundo

"Este projeto, extremamente ambicioso, será uma aposta pela possibilidade de sair dessa pandemia, pelo controle por meio da vacinação. Quase 28 mil pessoas decidiram, voluntariamente, nos ajudar com essa aposta, a população de Serrana é a verdadeira protagonista desse projeto", declarou Palacios.

O prefeito de Serrana, Léo Capitelli (MDB), destacou que o Projeto S é referência no mundo e que "enche de orgulho" saber que existe o "Butantan".

"No momento que todo mundo enfrenta um momento delicado, com a maio pandemia do século, aqui na pequena Serrana, através do Instituto Butantan, nós desenvolvemos um projeto que é referência no mundo, é muito bom e nos enche de orgulho saber que temos uma instituição com tanto 'know-how' como o Butantan", afirmou.

13 dias sem novas intubações por Covid

Embora ainda não existam resultados oficiais sobre os efeitos da imunização em massa na cidade — o instituto paulista prometeu divulgar as primeiras análises em maio —, as autoridades municipais de Saúde relatam que já perceberam os primeiros efeitos da campanha em massa.

A cidade está há 13 dias sem nenhum novo caso de intubação em decorrência da Covid-19. Segundo a administração, o último procedimento foi feito em 29 de março, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), quando o paciente em questão foi encaminhado para UTI do Hospital Estadual de Serrana.

De acordo com o Estadão, a UPA da cidade viu o número de pacientes intubados cair de um total de sete, em março, para zero neste primeiro terço de abril. A Santa Casa de Serrana, por sua vez, teve três intubações no mês passado, mas a última delas foi dia 18.

Segundo Glenda Moraes, chefe da Vigilância Epidemiológica, os cinco pacientes do município que estão hoje na UTI do Hospital Estadual foram internados em março — não há novos casos graves em abril.

Os moradores com mais de 18 anos tiveram direito a duas doses da CoronaVac, vacina contra a Covid-19 desenvolvida pelo Instituto Butantan, e só ficaram de fora mulheres grávidas, pessoas com doenças crônicas e pessoas com sintomas do vírus. Foram 28 mil dos 46 mil habitantes no total imunizados.

Atendimentos Covid-19 despencaram

Outro indicativo de melhora foi a redução, na última semana, do número de atendimentos na UPA para Covid-19 ou síndrome gripal. Houve, de acordo com dados da secretária de Saúde, uma queda de aproximadamente 67% em comparação com a média das semanas do mês de março.

"Tínhamos em torno de 80 a 90 atendimentos por dia na UPA. Nesta semana, passou para, em média, 30 por dia", explicou Glenda ao Estadão.

Porém, segundo a chefe de Vigilância Epidemiológica, ainda é cedo para associar esse desafogamento do sistema municipal de Saúde ao Projeto S.

"Precisamos aguardar mais um tempo para saber o efeito da vacinação em massa", disse, referinfo-se ao tempo da resposta imunológica completa da vacina que só ocorre duas semanas após a aplicação da segunda dose.

A cidade de Serrana foi dividida em quatro grupos:

  • Verde

  • Amarelo

  • Cinza

  • Azul

Cada grupo foi vacinadoa alternadamente, em diferentes semanas, de acordo com os critérios de prioridade (Entenda melhor abaixo).

Projeto S do Instituto Butantan

A primeira fase do estudo, com a aplicação da primeira dose da Coronavac, foi finalizada no dia 14 de março, com a participação de aproximadamente 28 mil pessoas — o equivalente a 97,6% do público-alvo da pesquisa.

Já a segunda dose começou a ser aplicada no dia 17 do mês passado, no grupo verde. Neste domingo, com a conclusão da vacinação do quarto e último grupo (azul), Serrana tem ao todo 27.160 mil habitantes acima de 18 anos completamente vacinados contra a Covid-19.

A partir de agora, segundo o Estadão, os pesquisadores do Projeto S vão avaliar o impacto da vacinação em massa nos casos de internação, na mortalidade e na transmissão do novo coronavírus em Serrana.

Segundo Marcos de Carvalho Borges, investigador principal do estudo, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP (Universidade de São Paulo), os primeiros resultados concretos começarão a ser divulgados pelo Instituto Butantan no meio de maio, mas os vacinados ainda serão acompanhados ao longo de um ano, para entender quanto tempo durará a resposta imunológica proporcionada pela Coronavac.

Vacinação pode reativar a economia

A prefeitura da cidade no interior paulista afirmou também que quer aproveitar a imunização em massa para ativar a economia.

Além disso, a administração estuda criar um programa de estímulos para as indústrias da região que quiserem investir no município.

O grande diferencial do projeto D, como vai ser chamado, é que a partir de agora Serrana é a única cidade do país a contar com uma população economicamente ativa protegida contra Covid-19.