Servidor do CNPq queima e plataforma sai do ar; pesquisadores temem perda de dados

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Órgão financia pesquisas e trabalha em prol da Ciência e Tecnologia no Brasil. Foto: Divulgação
Órgão financia pesquisas e trabalha em prol da Ciência e Tecnologia no Brasil. Foto: Divulgação
  • Pesquisadores não têm acesso à plataforma desde última sexta-feira

  • Órgão de financiamento em Ciência e Tecnologia vem sofrendo cortes em 2021

  • Plataforma Lattes armazena dados de pesquisa de todo o país

A plataforma Lattes do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) está fora do ar desde segunda-feira (26). O site armazena dados de pesquisas realizadas em todo o Brasil e é o principal sistema de informação do tipo no país.

Pesquisadores de todo o Brasil estão denunciando o congelamento da plataforma. Em postagem no Twitter na segunda-feira (26), o CNPq, que é ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, confirmou a falha e informou que está trabalhando para resolver o problema.

O presidente do Sindicato Nacional dos Gestores Públicos em Ciência e Tecnologia (SindGCT), Roberto Muniz, afirmou ao Yahoo Notícias que a queda da plataforma foi ocasionada pela queima de um controlador dos servidores, que são equipamentos que armazenam os dados.

“Nos preocupa muito isso, porque isso reflete a crise interna que passa o CNPq”, afirmou Muniz. “A gente fala muito dos cortes de orçamento para bolsas, para financiamento das ciências e acaba falando pouco da falta de recursos para manutenção do próprio CNPq”.

Segundo ele, o sistema utilizado pelo órgão já deveria ter sido atualizado.

“A falta de manutenção do CNPq tem gerado esse tipo de problema. Faz anos que nós estamos com problema nas plataformas, que estão se tornando obsoletas. Os pesquisadores têm dificuldade de acessar o sistema, que cai com frequência e às vezes perde registro”, relata.

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O CNPq enfrenta no momento uma crise de financiamento sem precedentes. Na semana passada, o governo federal bloqueou R$ 116 milhões do orçamento destinado ao pagamento de bolsas para cientistas do órgão. Essa perda se soma aos R$ 100 milhões cortados do orçamento em 2021 em relação ao valor disponibilizado em 2020. O perigo é que com o bloqueio o pagamento de bolsas seja suspenso nos últimos meses do ano.

Para o presidente sindical, há também falta de interesse do governo federal. “Já há muito tempo que se tem falado na necessidade de atualizar o mesmo, fazer novas plataformas. Infelizmente, devido à falta de recursos e à falta de prioridade pelo governo, isso não tem acontecido”.

A presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), entidade que representa em caráter nacional os pesquisadores em nível de mestrado, doutorado e pós-doutorado, concorda que a falha reflete a falta de repasse de recursos para Ciência e Tecnologia.

“A verdade é que o CNPq, com baixo orçamento, precisa priorizar investimentos”, declarou Flávia Calé. “Para pagar bolsas e pesquisas relevantes, deixa-se de investir em manutenção dos equipamentos vitais do sistema”.

E completou: “Esperamos que não se tenham perdido dados relevantes!”

Para Roberto Muniz, ainda é cedo para se falar em perda de dados. “Esta queima de equipamentos pode ter sido acidente, mas que no fundo reflete a falta de investimento nessa infraestrutura do CNPq”, afirmou. “Acidentes podem acontecer, mas um órgão tem que estar preparado para suprir e superar esses acidentes, não pode ficar tanto tempo sem condições de operacionalizar”.

Em nota, o CNPq reafirmou que o problema já foi diagnosticado e está sendo resolvido. Segundo o órgão, o pagamento de bolsas não será afetado e todos os prazos de ações relacionadas ao fomento do CNPq, incluindo a Prestação de Contas, estão suspensos e serão prorrogados. 

Além disso, o Conselho afirmou que "já dispõe de novos equipamentos de TI e a migração dos dados foi iniciada antes do ocorrido. Independentemente dessa migração, existem backups cujos conteúdos estão apoiando o restabelecimento dos sistemas".

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