Servidor exonerado da Saúde nega pedido de propina e pressão por Covaxin

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Frasco com Covaxin

Por Eduardo Simões

(Reuters) - O servidor exonerado do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias negou em depoimento à CPI da Covid no Senado nesta quarta-feira que tenha pedido propina ao ex-cabo da Polícia Militar de Minas Gerais Luiz Dominguetti em troca da assinatura de um contrato para compra de vacinas da AstraZeneca e que tenha pressionado um servidor da pasta a favor da vacina Covaxin.

Dias, que foi exonerado do cargo de diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde após ser acusado de pedir propina a Dominguetti, que alegava representar uma empresa disposta a vender vacinas ao governo, disse que o encontro que teve com Dominguetti em um restaurante em um shopping de Brasília foi "incidental".

De acordo com o servidor exonerado, ele havia ido ao local tomar um chopp com um amigo e, quando lá estava, o coronel do Exército Marcelo Blanco, com quem trabalhou no ministério, apareceu e lhe apresentou Dominguetti.

O cabo da PM de Minas, então, teria lhe dito que teria 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca contra Covid-19 a vender ao governo e Dias respondeu que já tinha ouvido sobre o assunto, mas que faltavam documentos para dar andamento. Dominguetti teria respondido que tinha os documentos e foi marcada uma reunião no dia seguinte na sede da pasta.

"Chegando ao ministério, o senhor Dominguetti foi atendido por mim na presença de outra servidora. Os documentos se mostraram mais do mesmo, não havia carta de representação do fabricante. Entretanto, o mesmo alegou que a receberia em instantes. Disse então que possuía outra agenda, mas que, se ele quisesse aguardar, ficasse à vontade na sala ao lado", contou.

"Tempos depois, o mesmo se despediu, disse que teria que ir embora, e nunca mais tive notícias, como de diversos outros ofertantes de vacina", disse.

"Nunca pedi nenhum tipo de vantagem ao sr. Dominguetti e nem a ninguém."

Dias também foi acusado pelo deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) e pelo irmão do parlamentar, o servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda, de exercer pressão a favor da compra da vacina indiana contra Covid-19 Covaxin. O servidor exonerado também negou a acusação e chamou Luis Miranda de "picareta".

"Acerca da denúncia do deputado Luis Miranda a respeito da Covaxin, não tive participação alguma na escolha da empresa, do produto, dos quantitativos disponíveis, do cronograma de entrega ou da definição de preço, nem tampouco condições contratuais, a mim cabendo, no âmbito das vacinas Covid-19, atos ordinários para a consecução do processo administrativo e medidas operacionais de logística", disse.

"Friso: nunca houve pressão minha sobre o funcionário, muito menos aquela mensagem retrata tal fato", disse, referindo-se a uma mensagem apresentada à CPI enviada por ele a Luis Ricardo Miranda que, segundo Dias, se referia à chegada ao Brasil de um lote da vacina da AstraZeneca, e não à Covaxin.

No depoimento à CPI, Dias também afirmou que não foi indicado ao cargo que ocupava pelo líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), admitiu ter exercido cargos de confiança no governo do Paraná quando a esposa de Barros, Cida Borghetti, foi governadora e disse que sua relação com o líder do governo é "uma relação como Parlamentar do Estado de origem, de onde eu venho" e disse conhecer Barros.

Ele disse que teve o nome indicado ao cargo em 2018 pelo ex-deputado federal Abelardo Lupion ao então deputado federal Luiz Henrique Mandetta, que assumiria o comando do Ministério da Saúde no governo do presidente Jair Bolsonaro e que foi mantido no posto pelos ministros que sucederam Mandetta até ser exonerado.

Luis Miranda disse no depoimento que deu à CPI que alertou o presidente Jair Bolsonaro sobre alegadas irregularidades em relação à Covaxin e ouviu do presidente que Barros estaria envolvido. Barros nega quaisquer irregularidades.

Após essas denúncias, o Ministério da Saúde suspendeu o contrato para compra da Covaxin e o Ministério Público Federal (MPF) abriu investigação sobre o caso.

Por causa da afirmação de Miranda de que alertou Bolsonaro sobre possíveis irregularidades envolvendo a Covaxin, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Procuradoria-Geral da República a investigar o presidente pelo suposto crime de prevaricação.

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