Servidores do Inep saem em defesa de demissionários e cobram MEC

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***ARQUIVO***BRASILIA, DF,  BRASIL,  11-08-2021, O ministro Milton RIbeiro (Educação). O presidente Jair Bolsonaro, acompanhado dos ministros Ciro Nogueira (Casa Civil) e Paulo Guedes (Economia), Bento Albuquerque (Minas e Energia), Tereza Cristina (Agricultura) e Flávia Arruda (Secretaria de Governo), durante cerimônia sobre a nova política de combustíveis, no Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASILIA, DF, BRASIL, 11-08-2021, O ministro Milton RIbeiro (Educação). O presidente Jair Bolsonaro, acompanhado dos ministros Ciro Nogueira (Casa Civil) e Paulo Guedes (Economia), Bento Albuquerque (Minas e Energia), Tereza Cristina (Agricultura) e Flávia Arruda (Secretaria de Governo), durante cerimônia sobre a nova política de combustíveis, no Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Um grupo de 12 servidores do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) encaminhou nesta quarta-feira (17) um ofício à direção do órgão em apoio aos 37 colegas que pediram desligamento de cargos de chefia em protesto contra a gestão atual. Eles cobram o MEC (Ministério da Educação) para resolver a crise.

O documento, obtido pela reportagem, foi enviado aos diretores do Inep por meio do sistema eletrônico de informações do governo. Esses servidores, que não atuam em cargos de chefia, reafirmam a "situação de fragilidade técnica e administrativa" em que se encontra a gestão máxima do Inep.

Há cobranças internas pela saída so presidente do órgão, Danilo Dupas Ribeiro. Parlamentares também exigem sua saída.

Servidores do Inep denunciaram nos últimos dias assédio moral e pressão para retirar, durante a elaboração da prova de 2021, itens que desagradam ideologicamente o governo. Às vésperas do Enem, que começa no domingo (21), 37 servidores entregaram seus cargos de chefia no instituto, citando "fragilidade técnica e administrativa" da atual gestão.

O ministro da Educação, pastor Milton Ribeiro, tem minimizado a debandada e diz que a motivação tem relação com mudança de pagamentos de gratificações. Ele, que esteve nesta quarta na Câmara prestando esclarecimentos, também negou interferência no conteúdo da prova.

Em reação, o grupo de servidores técnicos encaminhou o novo documento em que se solidariza com os demissionários e seus motivos. E ainda cobram o MEC sobre a vulnerabilidade atual do órgão.

"Apontamos o risco institucional que é a saída deles dessas funções estratégicas do órgão e solicitamos os bons préstimos quanto a esclarecimentos oficiais relativos ao posicionamento do Ministério da Educação, responsável pela nomeação da gestão máxima do Inep, quanto a situação de vulnerabilidade em que nos encontramos nesse momento", diz o ofício. "Ressaltamos o compromisso do corpo técnico do Inep com a educação brasileira."

Ribeiro reafirmou que não houve interferência no conteúdo, em contraste com declarações do próprio ministro. Ele mesmo repete que não permitiria questões consideradas inadequadas, prometeu que olharia a prova pessoalmente e depois recuou.

A frase contraria até iniciativas que já vieram à tona, de veto a determinados temas, como a ditadura militar e qualquer menção a homossexuais.

Em meio à crise com o Inep, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta semana que o Enem estaria, agora, com "a cara do governo". A fala foi considerada por parlamentares como confirmação das denúncias dos servidores.

Na terça (16), Ribeiro contradisse Bolsonaro, como também fez o vice-presidente, Hamilton Mourão (PRTB), no exercício da Presidência. Agora, na Câmara, Ribeiro disse que um Enem com a cara do governo teria relação com "competência honestidade e seriedade".

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