Sessão na Câmara de Niterói é tumultada após vereadora citar Brasil como líder mundial de assassinatos de pessoas trans

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RIO — Enquanto a vereadora Benny Briolly (PSOL), primeira parlamentar trans de Niterói, apresentava seus argumentos para a criação de cotas para pessoas transexuais em concursos públicos da cidade, na Região Metropolitana do Rio, um grito acusando-a de mentir pôde ser escutado no interior da Câmara Municipal. Benny havia acabado de citar a estatística de que o Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo. Pouco depois, o parlamentar Douglas Gomes (PTC) tomou a palavra na sessão e alegou que os dados eram enganosos. No entanto, segundo a ONG Transgender Europe (TGEU), o Brasil se mantém líder do ranking mundial de assassinatos de pessoas trans desde 2008.

Além disso, de acordo com o dossiê anual feito pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), foram registrados 175 assassinatos, todos de mulheres transexuais e travestis, ao longo de 2020 no país. Desde a criação deste dossiê, em 2017, foram contabilizados 641 assassinatos de pessoas trans no Brasil.

— Durante minha fala, quando apresentava dados sobre a transfobia brasileira, os gritos e xingamentos dos bolsonaristas me interrompiam. Fui chamada de “traveco”, “viadinho” e “piranha”. Foi muito violento! — relatou Benny.

O projeto de lei que ela preparou visa a estabelecer 2% de cotas para pessoas trans em concursos públicos no município. Ativistas do movimento LGBTQIAP+ estiveram presentes para pressionar a aprovação. Para Benny, o PL é necessário para "reparar a trajetória da comunidade trans, marcada pelo desemprego e a vulnerabilidade que, consequentemente, levam essas pessoas para o trabalho informal e a marginalização". A votação aconteceria nesta quarta, mas foi adiada para a tarde desta quinta-feira.

O momento do tumulto na sessão pode ser visto a partir do minuto 1:23:37 do vídeo transmitido ao vivo na página da Câmara Municipal de Niterói:

Em maio, Benny disse ter precisado sair do país para se proteger devido a "ameaças a sua integridade física". Ela ficou cerca de 15 dias acompanhando as sessões plenárias de forma virtual. À ocasião, a equipe da parlamentar ressaltou que mesmo antes de ser empossada, em dezembro, ela já havia sido alvo de ataques preconceituosos.

"Além disso, Benny recebeu comentários em suas redes sociais desejando que 'a metralhadora do Ronnie Lessa' a atingisse", afirmou a assessoria de imprensa de Benny, referindo-se a uma postagem feita antes das eleições.

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