Sete drinks para fazer em casa: receitas de quem entende do assunto

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Eles são um pouco psicólogos, um poucoalquimistas. Atrás do balcão, o bartender é um ouvido amigo: escuta confissõese desabafos e mistura líquidos, especiarias, frutas e outros segredinhos parapreparar um afago em forma de drinque. O resultado é tudo o que você estavaprecisando naquele momento. — Trabalhar como bartender é imprevisívele prazeroso. É um aprendizado diário. E a principal lição eu diria que é osaber lidar com pessoas — diz Igor Renovato, do Garoa Bar.Nesta segunda, 4 de outubro, é comemoradoo Dia do Bartender – a data surgiu em São Paulo, nos anos 1970, durante umconcurso de coquetelaria que reuniu diversos profissionais do meio. Para oitaliano Nicola Bara, do Microbar, a profissão tem ganhado mais reconhecimentono Brasil:— Muito mais que uma figura qualqueratrás do bar, o profissional treinado e reconhecido pode ajudar nodesenvolvimento e na popularização de destilados e bebidas de maior qualidade,o que tem acontecido no mundo todo.Para celebrar a data, convidamos seterenomados bartenders para eleger coquetéis que marcaram suas vidas, clássicosou autorais. Eles contam um pouquinho sobre os drinques escolhidos e ensinam apreparar as receitas, para quem quiser brincar de barman (ou barwoman) por umdia. Tintim!Igor RenovatoAos 19 anos, o jovem flamenguista de SãoJoão de Meriti trocou as chuteiras pelas coqueteleiras. Chefe de bar do Garoa,ele aposta em misturas criativas e reinventa clássicos. Como uma variação donegroni com infusão de manga salgada, receita criada em cima de sabores esaberes do universo popular, com a qual ganhou no mês passado um campeonato daCampari.— Trouxe um hábito de pessoas comuns,geralmente na infância, que é de comer manga verde com sal. Esse costumemiudinho foi a inspiração para esse coquetel — conta Igor, antes de avisar: —Opreparo é simples, mas os insumos também são artesanais: antes é preciso fazerduas infusões que podem levar até 24 horas para ficarem prontas.O gim e seus segredos: saborosas lições de Igor RenovatoMango Salato NegroniSandraMendesPioneira na coquetelaria carioca, amixologista, que já passou por diversos balcões, criou cartas para vários baresna cidade e vende seus coquetéis engarrafados por encomenda, escolheu umclássico – e tem até os ingredientes tatuados no braço.— Meu coquetel preferido é o bloody mary,uma paixão antiga. Gosto principalmente por ser versátil, pode ser reinventado,adaptado, desconstruído, e não deixar de ser um clássico. Sou eu? — brinca.Bloody MaryAs variações podem ir desde substituir abase alcoólica oficial, a vodca, a criar sua própria receita de suco de tomate.A dica de Sandra para quem não quer partir do zero preparando o suco em casa éretemperar uma marca pronta:— Leve ao fogo baixo o suco e ostemperos de sua preferência (eu uso louro, pimentas e tomilho). Depois de ferver,desligue e deixe em infusão com a panela tampada até esfriar. Coe, passe paraum vidro esterilizado e guarde em geladeira até 3 dias.Outros ingredientes quevocê pode experimentar no suco ou guarnições são wasabi, xerez, sal de aipo,bitters, legumes variados, bacon, ostra fresca, algas e picles — ensina Sandra.NicolaBaraDepois de começar a trabalhar atrás dobalcão, em Londres, o italiano radicado no Rio lembra que um dos primeirosdrinques que o fez começar a olhar diferente para esse universo foi o Martinez,feito com genever (um destilado holandês), vermute tinto, Angostura, bitter delaranja e licor de cereja. No Micro Bar, no Leblon, onde dá expediente, andaencantado com o MyDry, criação que se tornou um clássico da casa.—O que mais me impressionou foi o equilíbriode um drinque mais seco e, ao mesmo tempo, com muita complexidade aromática,algo difícil de ser conciliado. Tenho tido o desejo cada vez mais dedesenvolver coquetéis neste estilo — diz Nicola.MyDryAndersonSantosPara degustar sem pressa, o bartender esócio do Liz Cocktail, no Leblon, recomenda um Manhattan, clássico que o marcoupela complexidade.— É feito para tomar de maneira calma: àmedida que a bebida ganha temperatura, ele vai ficando ainda melhor — garante.ManhattanLauraParavatoPara atender ao pedido de uma amiga nobalcão, a hoje comandante do bar do Escama criou Um drink pra você. Era aprimeira vez que chefiava um bar e a receita fez tanto sucesso que acabouentrando para a carta assinada meses depois (também a primeira 100% de sua autoria).Umdrink pra vocêIngredientes:50ml de rum branco40ml de rum envelhecido40ml de xarope de abacaxi com pimenta doreino e agave azul*20ml de suco de limão-siciliano2 dashes de Angostura*Para o xarope de abacaxi:1 abacaxi inteiro cortado em cubos330g de calda de agave azul10g de pimenta-do-reino300ml de água mineralModo de fazer:Bata tudo no mixer entre 10 e 15 minutos,depois coe bem para uma garrafa. Rende 1,5 litro.LeloFortiÍcone da coquetelaria (e o preferido de JamesBond), o Dry Martini é o amigo de todas as horas do mixologista que comanda oStuzzi e o Mixxing: foi o primeiro coquetel que Lelo aprendeu a fazer, noinício da carreira. E foi por causa de um deles que conheceu sua mulher.— Ele possui todas as característicasque busco em um drinque: personalidade, frescor e um toque de sabedoria.Acredito que se todas as pessoas bebessem um único Dry Martini diariamente,metade dos problemas do mundo não existiriam — aposta Lelo.Dry MartiniZanAndradeJá imaginou um drinque feito com caldo decarne? Quando ingressou no universo da coquetelaria, o bartender, responsávelpelas cartas de drinques da rede Belmonte, incluindo o El Born e o novo rooftopde Ipanema – onde serve cerca de 4 mil drinques por dia nos fins de semana –,não fazia ideia de que poderia existir algo assim. Até hoje, o Bullshot é suapedida preferida.— Além de altamente nutritivo (sãoaproximadamente 400 calorias), é um excelente remédio para ressaca! — asseguraZan.O drinque não está na carta da casa, masé só pedir com jeitinho que ele faz com prazer.Bullshot

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