Sete homens negros indultados 70 anos após execução por estupro de mulher branca

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O governador da Virginia, Ralph Northam (AFP/WIN MCNAMEE)

O governador democrata da Virgínia concedeu nesta terça-feira (31) um indulto póstumo a sete homens negros executados em 1951 pelo estupro de uma mulher branca, após uma investigação e processos marcados pelo racismo.

Ralph Northam anunciou sua decisão após se reunir com descendentes desses homens afro-americanos conhecidos como "os sete de Martinsville".

Os indultos "não abordam sua culpabilidade", mas "reconhecem que não tiveram direito a uma justiça imparcial", de acordo com um comunicado de seu gabinete.

A cor da pele "desempenhou um papel inegável na sua identificação, na investigação e na sua condenação" à pena de morte, especialmente porque foram julgados por júris totalmente brancos, afirma o decreto.

"Embora não possamos mudar o que aconteceu, espero que essa medida traga um pouco de paz", disse o governador, que apoia as reformas do sistema penal desde o início de seu mandato em 2018 e concedeu um número recorde de 604 indultos.

O caso de Martinsville, no sul da Virgínia, data de janeiro de 1949. Uma mulher branca de 32 anos relatou ter sido estuprada por um grupo de homens negros, e a polícia rapidamente fez todas as sete prisões e obteve confissões assinadas.

Mas os sete homens, interrogados sem advogado, deram diferentes versões dos fatos e muitos eram analfabetos e não sabiam ler suas confissões.

Apesar das manifestações a seu favor, eles foram submetidos à cadeira elétrica em fevereiro de 1951.

Em 1977, a Suprema Corte se manifestou contra a imposição da pena capital em casos de estupro.

Em março, a Virgínia aboliu a pena de morte, uma decisão simbólica para este estado que detém o recorde de execuções na história americana.

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