Sete motivos que fazem de ‘Tudo em todo o lugar ao mesmo tempo’ a sensação da temporada de premiações

Lançado no início do ano (março), sem passagem por nenhum dos grandes festivais, com uma trama que mescla ação, artes marciais, comédia e ficção científica, dirigido por cineastas mais conhecidos pelos trabalhos em clipes musicais do que na tela grande... Isso não parece descrever um filme favorito da temporada de premiações. Mas sim, estamos falando do longa com maior número de indicações ao Oscar em 2023: “Tudo em todo o lugar ao mesmo tempo”.

Oscar 2023: confira a lista completa dos indicados

Veja: saiba onde assistir aos filmes indicados ao Oscar 2023

Dirigido por Dan Kwan e Daniel Scheinert, o longa recebeu 11 indicações ao prêmio da Academia, incluindo melhor filme, direção e atriz. Nas bilheterias, já faturou US$ 100 milhões ao redor do mundo, um valor considerável para uma produção que não é de um grande estúdio. O filme também vem colecionando críticas positivas e até o momento possui 95% de aprovação do Rotten Tomatoes.

Mas o que fazer dessa pequena produção, sem grandes estrelas no elenco e com orçamento modesto (US$ 25 milhões) a maior sensação do último ano. Elencamos sete motivos para entender o fenômeno.

Originalidade

Em uma Hollywood tomada por adaptações de quadrinhos, refilmagens e continuações, é natural que uma produção que consiga ser popular e original ao mesmo tempo consiga furar a bolha e se mostrar uma atração pra lá de satisfatória para o público, para a crítica e para os votantes de premiações.

Montanha-russa de gêneros e linguagens

A narrativa embarca na teoria dos multiversos, que vem alimentando boa parte da ficção pop, especialmente os filmes da Marvel, para levar o espectador por uma montanha-russa acelerada de gêneros e linguagens. “Tudo em todo o lugar ao mesmo tempo” tem ação, ficção científica, aventura, drama, comédia e tudo mais. Em termos de linguagem, oferece cenas absurdas e envolventes. Como não se encantar com duas pedras conversando entre si.

Elenco talentoso e carismático

O filme não tem uma super estrela, mas possui um elenco em completa sintonia. Michelle Yeoh, Stephanie Hsu, Jamie Lee Curtis e Ke Huy Quan estão absolutamente brilhantes em cena. Não por acaso, os quatro estão indicados ao Oscar.

Estúdio cultuado e popular

“Tudo em todo o lugar ao mesmo tempo” é o projeto mais recente do cultuado estúdio A24, que vem se tornando um dos principais players na cena independente de Hollywood. O longa, inclusive, já é o maior sucesso da companhia ao bater a bilheteria de US$ 100 milhões. "Hereditário" (US$ 80 milhões) e "Joias brutas" (US$ 50 milhões) completam o top 3 do estúdio, que vem acumulando uma legião de fãs por trás de seus projetos.

Conquistando pela simpatia

O longa vem crescendo na temporada de premiações e, a cada prêmio que passa, ganhando mais e mais a simpatia dos votantes. Isso se deve a uma boa campanha de divulgação, mas também ao fato de que a equipe tem se entregado completamente nas premiações. Foi impossível não se emocionar com Ke Huy Quan lembrando de Steven Spielberg, que lhe deu sua primeira oportunidade em "Indiana Jones e o templo da perdição", durante o discurso do Globo de Ouro. E quem não riu de uma Jamie Lee Curtis gritando desesperada da plateia após o prêmio para Michelle Yeoh? A cena inclusive virou meme.

Ação (real) de perder o fôlego

Os diretores contam que quando procuraram Michelle Yeoh para o projeto, perguntaram sobre o que ela gostaria de fazer na sequência em sua carreira. A atriz teria respondido que sentia falta de cenas de ação. E foi esse encontro que proporcionou um dos filmes com ação mais frenética e com coreografias naturalistas, sem abusar da famosa tela verde.

Crescendo na hora certa

O Oscar poucas vezes vai para aquele filme que surge como favorito desde o início da temporada de premiações. É um processo de meses e, muitas vezes, o filme que chega mais aquecido na reta final é que leva a estatueta, como foi com "No ritmo do coração", em 2022. Embora há venha colecionando menções e indicações desde o ano passado, a impressão que fica é que “Tudo em todo o lugar ao mesmo tempo” está crescendo na hora certa. Se inicialmente parecia destinado a levar um prêmio de coadjuvante, agora parece forte concorrente a melhor filme. Isso se deve à vitória no Critcs Choice e, principalmente, às indicações ao SAG, Oscar e BAFTA.