Sete vezes em que Bolsonaro fez ataques contra as vacinas em 2021

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RIO — Ao longo de 2021, o presidente Bolsonaro continuou a questionar a validade e eficácia da vacinação da população brasileira. Mesmo com mais de 300 milhões de doses aplicadas em brasileiros e mais de 600 mil mortos, o discurso presidencial pouco mudou. O mais recente alvo de controvérsia tem sido a decisão de vacinar ou não as crianças entre 5 e 11 anos de idade, conforme autorizado pela Anvisa. Apesar da resistência oferecida pelo governo, o Ministério da Saúde anunciou que a imunização dessa faixa etária pode começar em janeiro.

No último ano, o presidente criticou a Coronavac, fabricada pelo Intituto Butantan; relacionou a vacinação à Aids e a embolia pulmonar; e colocou em dúvida a eficácia da iniciativa de imunização. Confira a lista:

'Desmoralizado'

Ainda no início do ano, em janeiro, por mais de uma vez, o presidente criticou a Coronavac, vacina feita pelo Instituto Butantan. No dia 15 daquele mês, ele disse que o governador de São Paulo, João Doria, estava "desmoralizado" pelo o que ele chamou de "baixa taxa de sucesso" da vacina. A fala veio em resposta a uma crítica feita por Doria a Bolsonaro, que o havia chamado de facínora:

— Vou tomar tempo dessas pessoas para fazer uma ação contra esse cara de São Paulo que foi desmoralizado pela baixa taxa de sucesso na sua vacina, que ele tanto defendeu. Nunca vi um político defender tanto a vida. Geralmente os interesses são outros — disse Bolsonaro na entrevista à Band. Naquele momento, o governo federal já havia assinado um contrato de compra de 46 milhões de doses da Coronavac.

'Só se for na casa da tua mãe'

No dia 4 de março, em visita a Uberlândia, o presidente demonstrou irritação com os que cobram pelas redes sociais que seu governo comprasse doses das vacinas:

— Tem idiota nas redes sociais, na imprensa, 'vai comprar vacina'. Só se for na casa da tua mãe! Não tem para vender no mundo! — disparou o presidente a apoiadores, antes de classificar as medidas tomadas por governadores contra a disseminação do vírus como "mimimi".

Duas semanas depois, o Governo Federal fechou acordos para 100 milhões de doses da Pfizer e outras 38 milhões da Johnson.

Infecção 'mais eficaz'

Em julho, durante uma live no Facebook, Bolsonaro afirmou que a infecção por Covi-19 é "mais eficaz" do que a vacinação:

— Eu já me considero, me considero não, eu estou vacinado, entre aspas — disse Bolsonaro. — Todos que contraíram o vírus estão vacinados, até de forma mais eficaz que a própria vacina, porque você pegou o vírus para valer. Então quem contraiu o vírus, isso não se discute, está imunizado.A declaração, entretanto, não condiz com as recomendações das autoridades em Saúde ao redor do mundo. Em outubro de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) já ressaltava que a imunidade de rebanho, que é permitir a livre circulação do coronavírus entre as pessoas como forma de estimular uma "imunidade coletiva", não deve ser tratada como "uma opção".

Contra a vacinação de adolescentes

Em setembro, o presidente disse ser contra a obrigatoriedade de imunização dos brasileiros de 12 a 17 anos, um dia após o Ministério da Saúde editar uma nota técnica para orientar a aplicação da vacina contra a Covid-19 em adolescentes.

— Mas como posso entrar numa guerra dessas da obrigatoriedade, se a decisão cabe aos prefeitos e governadores. Posso falar que sou contra vacinar menores de 12 a 17 anos, de acordo com o Ministério da Saúde. Mas os governadores e prefeitos podem ignorar. Se tem estudo cientificamente comprovado, tudo bem. Nesse momento, a Anvisa diz que essa faixa etária pode ser vacinada com a Pfizer. E te pergunto: continua escrito lá na Pfizer, no contrato, que não nos responsabilizamos por efeitos colaterais? Ou não. Parece que continua — disse o presidente, que continuou.Ele também questionou a necessidade de pessoas vacinadas se colocarem de quarentena, conforme recomendação da Anvisa.

— Até quem está vacinado tem que ficar de quarenta? Ué, vocês não acreditam na ciência, não acreditam na vacina?

Relacionou vacina e Aids

Em outubro, o presidente teve pela primeira vez uma de suas tradicionais lives retiradas do ar no Facebook. O motivo dado pela rede social é a de que as políticas da empresa "não permitem alegações de que as vacinas de COVID-19 matam ou podem causar danos graves às pessoas". A declaração em questão foi proferida pelo presidente no dia 21 de outubro. Nela, o presidente associava a vacinação e a síndrome da imunodeficiência adquirida, a Aids.

No vídeo, Bolsonaro citava uma matéria da revista "Exame" publicada um ano antes, quando as vacinas ainda estavam sendo desenvolvidas. O presidente também citava supostos relatórios do governo Britânico, o que já havia sido desmentido pelo próprio Reino Unido.

Insistiu na cloroquina

No início de dezembro, o presidente Bolsonaro não só voltou a defender o uso de hidroxicloroquina para o tratamento de Covid-19 — medicamento sem comprovação científica e descartado pelas autoridades sanitárias para o combate ao vírus —, como também colocou novamente em dúvida a eficácia da vacina.

Durante uma cerimônia de declaração de guardas-marinha, no Rio de Janeiro, no dia 11 de dezembro, Bolsonaro disse que a embolia pulmonar que levou o deputado Hélio Lopes (PSL-RJ) ao hospital poderia ter sido um efeito da vacina contra a Covid-19:— Um caso que está sendo estudado agora. O deputado Hélio Lopes, meu irmão, está baixado no hospital, com embolia. Parece ser efeito colateral da vacina. Vamos aguardar a conclusão.

Vacinação em crianças

Mesmo após a vacinação em menores de 5 a 11 anos ter sido aprovada pela Anvisa, o presidente Bolsonaro continuou a questionar a medida:

— A questão da vacina para criança é muito incipiente ainda. Temos muito… Nós, não. O mundo ainda tem muita dúvida — disse Bolsonaro, que afirmou também que não irá vacinar a filha. Apesar da autorização, Bolsonaro e o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, resistem em iniciar a imunização desse público, com o argumento de que não há urgência.

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