Setor de serviços segue otimista apesar de retração histórica em 2016

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O Índice de Confiança de Serviços (ICS) tem a segunda alta consecutiva e sobe 0,5 ponto em fevereiro, chegando a 80,9 pontos, mesmo patamar do início de 2015. A elevação foi puxada pelo Índice de Expectativa, que subiu quase dois pontos, para 88,5 pontos, o maior nível desde outubro de 2014, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

Depois de três meses de queda no índice, o ano começou com a retomada da confiança mesmo com o resultado desastroso do ano passado. O volume do setor de serviços fechou 2016 com queda de 5,7% na comparação com 2015, a maior retração para o mês de dezembro desde o início da série histórica em 2012. A taxa acumulada ficou em -5,0%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em nota, o consultor da FGV Silvio Sales atribuiu a melhora da confiança à “consistente queda da inflação e o início do ciclo de redução da taxa básica de juros, que associados às perspectivas de reformas abrem caminho para o ajuste das contas públicas e devem atuar para a contínua melhora na percepção empresarial sobre o rumo dos negócios”.

Já que o setor é abrangente – atende das famílias às empresas – e os números negativos dos últimos anos é o reflexo do desaquecimento da atividade econômica de uma maneira geral.

O impacto da recessão foi sentido de perto por Cristiane Soares, uma das sócias do Omamori, espaço de beleza e bem-estar. Ela viu a quantidade de clientes diminuir com a crise e percebeu um intervalo maior entre as visitas até das frequentadoras mais fiéis.

Para Cristiane, que está no ramo da beleza há mais de 20 anos, a solução foi investir em novos serviços. “É importante ter pensamento positivo e não perder o foco. Ficar reclamando não adianta. Precisamos trabalhar, estudar e fazer a nossa parte. Buscar conhecimento precisa ser prioridade, sempre”, afirma.

Piores resultados

O volume do setor de serviços chegou a apresentar em dezembro crescimento de 0,6% sobre o mês anterior, na série com ajuste sazonal, após ter registrado alta de 0,2% em novembro. No entanto, “não foi o suficiente para compensar as perdas em relação a 2015”, segundo Roberto Saldanha, técnico da coordenação de serviços e comércio do IBGE.

O segmento de “transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio” acumulou a maior queda, com -7,6%, com destaque para o transporte terrestre, que registrou -10,4% em 2016 sobre o ano anterior. Nesse aspecto, O IBGE ressalta a forte dependência do transporte de cargas (rodoviário, ferroviário e dutoviário) em relação ao setor industrial, maior demandante deste serviço, tanto para o consumo de matérias-primas, como para a distribuição da produção. Dessa forma, a recuperação da atividade consequentemente depende do andamento do setor industrial.

Em seguida, vem o segmento de “serviços profissionais, administrativos e complementares” com retração de 5,5%, principalmente pelo desempenho negativo dos serviços técnico-profissionais (-11,4%). Depois, aparece o segmento de “serviços prestados às famílias”, com uma variação acumulada de -4,4%, que depende fundamentalmente da recuperação do poder de compra das famílias para retomar seu crescimento.

Por Daiane Brito