Setor metroferroviário tem recuperação lenta com menos passageiros e acumula déficit de R$ 1 bi no estado do Rio

Carolina Callegari
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Gabriel Monteiro em 19-10-2020 / Agência O Globo

RIO — Enquanto não se podia imaginar que uma pandemia mudaria os rumos do mundo durante este ano, os sistemas de transporte também não previa as contas em vermelho como um ingrato passageiro para o próximo ano. Em pesquisa inédita feita pela Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos) mostra que o prejuízo do Rio de Janeiro aquém do esperado no quarto trimestre — ainda com dias pela frente. D e março a novembro, os sistemas metroferroviários registram um déficit de receita tarifária de R$ 1,2 bilhão.

A tendência é de recuperação no sistema metroviário no Rio tal qual no restante do país, mas tem mostrado uma mudança mais lenta, apesar das flexibilizações e das novas medidas, que não voltaram, por exemplo, a restringir o comércio. Entre os 10 estados que têm transportes sobre trilhos e foram avaliados, o fluminense é o terceiro com menor índice de recuperação da demanda de passageiros do país, com 53%, à frente apenas de Minas Gerais, com 45%, e Alagoas, com 40%, no balanço anual. Nos primeiros meses de pandemia, a ANPTrilhos previa recuperação até o fim de 2021. Agora, o caminho foi ainda mais longo e deve demorar até três anos para voltar aos eixos.

— Quando começou a retomada, imaginávamos que só iríamos retornar ao nível pré-pandemia no final de 2021. Agora, em função de termos uma outra onda, digamos assim, a gente não acredita que vá voltar àquela situação em menos de três anos. Tem decisões que eram temporárias que vâo acabar sendo definitivas. Quantas pessoas começaram a trabalhar de casa e vão voltar a trabalhar no escritório? Uma parcela grande não vai voltar. Então hoje tem uma realidade diferente — observa o presidente da ANPTrilhos, Joubert Flores.