Seu amigão está entediado? A saída pode ser o Enriquecimento Ambiental

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RIO — Insatisfeita com o método de adestramento rígido que vinha adotando com seu cão, Luthor, um dogue de Bordeaux de 70 quilos, a comerciária Clara Luna, moradora do Recreio dos Bandeirantes, resolveu procurar na internet outras técnicas. Encantou-se ao se deparar com a proposta do Enriquecimento Ambiental, conjunto de técnicas que vem ganhando destaque em diferentes perfis em redes sociais, inclusive nos de especialistas em treinamento animal, e decidiu adaptar os brinquedos e os passeios do seu pet, além de reavaliar a alimentação dele.

— Sentia que o adestramento tradicional era mais “militarizado”: o cão tem que andar do lado, não pode andar na frente, tem um momento certo para farejar. Com o Enriquecimento Ambiental, eu e meu marido introduzimos na rotina do Luthor brinquedos interativos, dentro dos quais eu coloco comida, geralmente ração. Isso o estimula a se conectar com a própria natureza, um desafio para quem mora em apartamento — relata Luna. — Nos passeios que fazemos, eu o deixo exercitar o olfato. Não temos uma rota fixa, e o Luthor fica mais à vontade para explorar novos cheiros e ruas. Senti, ao longo do tempo, que ele foi ficando mais calmo e satisfeito com essas brincadeiras: a gente passeia duas vezes ao dia, e ele volta bem mais relaxado. E em casa temos brinquedos inteligentes que complementam as atividades.

Muito comum em zoológicos, para adaptar espécies ao novo ambiente, o Enriquecimento Ambiental consiste em adaptar espaços e rotinas para entreter o animal ao mesmo tempo em que estimula paladar, saúde física e interação com o tutor. Clara é uma das mais de dez mil seguidoras do @solucoescaninas, um perfil do Instagram administrado pelo adestrador Rafael Rodrigues. O profissional explica que há cinco tipos de Enriquecimento Ambiental — cognitivo, alimentar, físico, sensorial e social — e que todos podem ser adaptados para qualquer tipo de animal, respeitando as particularidades de cada raça e seu porte.

— Não só cachorros, mas tutores de aves e gatos também podem recorrer a propostas inteligentes para melhorar a rotina de seus animais. Em casas com felinos, fazemos um processo de “gatificação” do imóvel, colocando, por exemplo, prateleiras, pois sabemos que são ótimos estimulantes para gatos. E sabe aquele papagaio barulhento do qual os vizinhos reclamam? Com certeza é um problema de adaptação ao espaço em que fica confinado, e tudo isso pode ser ajustado e melhorado para o bem-estar do animal — defende.

Rodrigues também é o adestrador de Hope, uma border collie de 5 meses. A tutora da cadela, a empresária Nathália Schmucler, conta que antes mesmo de adotá-la já vinha pesquisando sobre qual a melhor criação para conciliar a rotina da casa e as necessidades da nova moradora. Dona do restaurante Roma in Rio, em Jacarepaguá, Nathália passa boa parte do dia fora. Sua maior preocupação era como Hope iria se comportar na sua ausência.

—Quando eu saio, deixo um ossinho recheado com comida e ela vai lambendo, vira uma brincadeira. É da natureza do cachorro de caçar a comida, e isso a distrai, causando cansaço tanto físico quanto mental. No início fiquei preocupada, porque ela corria muito pela casa, mas, depois das dicas do Rafael, está dando tudo certo e ela ainda não destruiu nenhum móvel— conta.

Para quem pensa em experimentar técnicas do Enriquecimento Ambiental em casa, Rodrigues dá dicas:

—Hoje, na internet, principalmente nas redes sociais, a gente já tem muitas informações sobre essas práticas. Em casa, as pessoas podem começar adaptando garrafas de plástico, porém devem se preocupar com as partes soltas. Podem colocar alimentos dentro delas e promover desafios, ou estimular o paladar do animal através da introdução de outros alimentos, como frutas, além, claro, de procurar um profissional especializado para ajudar no processo.

Para quem não tem tempo, mas simpatiza com a proposta, uma opção é levar o animal para creches e clubes que oferecem atividades baseadas no Enriquecimento Ambiental ou que combinam com sua proposta. Na unidade do Club Pet na Barra da Tijuca, gatos, cachorros, aves e coelhos dispõem de brincadeiras que os estimulam.

—Temos muitos exercícios diferentes para promover o enriquecimento. Temos atividades com uso de água, por exemplo, para estimular o sensorial dos animais, e música. Com a ajuda de uma nutricionista, introduzimos novos alimentos, principalmente frutas congeladas, que ajudam no paladar e na nutrição dos animais. Todas as medidas que adotamos são pensadas de acordo com a disponibilidade e as características deles — diz Fabiana Elkind Velmovitsky, sócia do Club Pet.

*Estagiária, sob a supervisão de Lilian Fernandes

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